Tereza Cristina será relatora do acordo Mercosul-UE no Senado
As declarações ocorreram durante o lançamento do Instituto Diálogos, criado em Brasília com a proposta de reunir lideranças políticas, empresariais e especialistas para discutir temas estruturais do país

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou nesta quarta-feira (25), em Brasília, que será a relatora no Senado do acordo entre Mercosul e União Europeia. A declaração foi feita durante o lançamento do Instituto Diálogos.
“Ontem recebi a missão de relatar o acordo no Senado. Agora vou ter que sentar e estudar, porque são 9 mil páginas”, disse.
O tratado avança no Congresso brasileiro após ter sido aprovado na representação do país no Parlamento do Mercosul nesta terça-feira (24).
O texto segue agora para votação nos plenários da Câmara e do Senado, e a expectativa é que os deputados analisem o acordo ainda nesta quarta-feira.
O documento, porém, enfrenta dificuldades com representantes do agro no Congresso Nacional. A FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) tem defendido o avanço com ressalvas para proteger os produtos brasileiros, mas o governo tem sinalizado que possíveis mudanças possam ocorrer após a entrada em vigor do tratado.
Tereza Cristina afirmou que a análise do Senado deverá se concentrar nos impactos internos do acordo e nas ferramentas de defesa comercial do país.
“É um acordo enorme, complexo, e o Brasil precisa olhar com cuidado. Tem pontos colocados no final da negociação que preocupam, principalmente algumas salvaguardas que claramente foram desenhadas para proteger setores europeus”, declarou.
Segundo ela, a discussão não deve se limitar ao texto do tratado, mas à capacidade do país de reagir a possíveis desequilíbrios comerciais.
“Não adianta assinar um acordo desse tamanho se o Brasil não estiver preparado internamente. Nós vamos ter que melhorar nossos instrumentos para enfrentar qualquer distorção que apareça”, afirmou.
A senadora também disse que o cenário internacional exige que o país trate comércio exterior como tema estratégico.
“Hoje o comércio virou instrumento de poder. Quem não tiver estratégia vai ficar para trás. O Brasil precisa decidir onde quer chegar e como vai se posicionar no mundo”, disse.
Instituto Diálogos
As declarações ocorreram durante o lançamento do Instituto Diálogos, criado em Brasília com a proposta de reunir lideranças políticas, empresariais e especialistas para discutir temas estruturais do país, como inserção internacional, produtividade, geopolítica e competitividade.
Ao responder o questionamento do diretor da CNN Brasil em Brasília, Daniel Rittner, que mediou a estreia do Instituto, Tereza Cristina afirmou que a ideia é construir um espaço permanente de debate estratégico.
“A proposta é pensar o Brasil no longo prazo, discutir comércio, desenvolvimento, competitividade e posicionamento internacional. A gente reage muito e planeja pouco, e o instituto nasce justamente para ajudar a organizar esse debate”, afirmou.


