Timbaúba quer levar suco de uva do sertão nordestino à Ásia

Empresa do grupo Queiróz Galvão, produz sucos em Petrolina e investe R$ 100 milhões para conquistar mercados internacionais

Fernanda Pressinott, da CNN Brasil, São Paulo
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Do interior de São Paulo, o suco de laranja brasileiro dominou o mundo; da floresta amazônica, a polpa de açaí atiçou o paladar dos atletas americanos. Agora, é a vez do suco de uva do sertão nordestino conquistar a Ásia. Pelo menos essa é a intenção da Timbaúba, uma das maiores empresas de suco natural do país pertencente ao Grupo Queiroz Galvão.  

Com investimento de R$ 100 milhões em modernização das instalações, a companhia que processa entre 120 e 150 toneladas de uva ao dia em Petrolina (PE) aposta no apetite dos asiáticos por bebidas saudáveis.  

É principalmente por causa deles que o faturamento deve dobrar de R$ 200 milhões para R$ 400 milhões em quatro anos.  

Mas não só. A Timbaúba quer permanecer vendendo aos EUA, Europa e Japão e atingir novos mercados.  

E apesar de hoje 90% do faturamento da empresa se dar pelas vendas internas, não se pode dizer que o grupo é novo no comércio exterior. Há 35 anos, a empresa exportava uva de mesa e manga, mas sentiu que poderia ter um comércio mais estável.  

"Vendíamos frutas nas janelas [entressafra] de outros mercados. Queríamos algo mais linear e de maior valor agregado”, conta à CNN Sydney Tavares, presidente da empresa.  

Há dez anos, começaram o projeto de envase da uva e também o plantio de coco anão. Ambos são cultivados na fazenda de 2,5 mil hectares em Petrolina, que contorna a fábrica. Desse total, 1 mil hectares são irrigados e proporcionam a produção de 150 mil litros de sucos todos os dias. 

Outro ponto importante para a mudança foi a falta de mão de obra. Tavares conta que o cultivo e exportação de uva exigiam 6 mil funcionários. “Temos agora 800 pessoas e não precisamos de safristas [funcionários apenas para colheita]”.  

Portfólio  

A Timbaúba trabalha hoje com suco de fruta integral, água de coco e matéria-prima (polpa de açaí ou suco concentrado de uva). No portifólio, recentemente a empresa optou por misturar suco de maçã ao de uva, assim como vários dos seus concorrentes, para baratear o custo.  

“O aumento de preços do setor fez o consumo de suco cair 18% em 2024 e 13% no ano passado, segundo a Nielsen. Isso movimentou o mercado e criou esse mix. Ainda assim, para nós o suco integral 100% de uva, segue como o mais importante em receita”, afirma Tavares.  

A Timbaúba atua com a marca OQ para bebidas saudáveis, JUQ para produtos infantis de caixinha e Lumi, com bebidas alcóolicas frisantes em lata.  

Safra positiva 

Para esta safra, a expectativa é de retomada do consumo porque a safra de uva em Petrolina foi muito boa e os preços tendem a cair ao consumidor. “O preço da matéria-prima caiu entre 15% e 20% nesta safra e vimos, entre janeiro e fevereiro, um crescimento de vendas de 3%”, afirma o executivo.  

Para o futuro próximo, a companhia pretende lançar sorbet e outros produtos com polpa de açaí.  

A Timbaúba colhe diariamente entre 120 a 150 toneladas de uva, 350 dias por ano, fator que só é possível pela microrregião de Petrolina e pelo sistema de irrigação utilizado.