Trigo dispara em Chicago com temor de escalada da guerra no Mar Negro
Contrato para dezembro avançou 6,40% e fechou a US$ 7,48 por bushel, maior nível desde 2014

O contrato futuro de trigo para entrega em dezembro registrou forte alta de 6,40% na Bolsa de Chicago e encerrou o pregão desta quarta-feira (26) cotado a US$ 7,48 por bushel.
De acordo com as informações da Royal Rural, o movimento foi impulsionado pelo aumento da preocupação do mercado com uma possível nova escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Com as negociações de paz perdendo força e o conflito entrando novamente em uma fase mais dura, os investidores voltaram a incorporar um prêmio de risco aos preços dos grãos.
O analista da consultoria, Pedro Gomes, destacou que a possibilidade de intensificação dos ataques russos contra a Ucrânia aumentou a preocupação com a infraestrutura necessária para o escoamento da produção. "O risco envolve portos, ferrovias, armazéns, navios, seguros e corredores de exportação", destacou em nota.
A Rússia é um dos principais fornecedores de trigo do mercado mundial, enquanto a Ucrânia também tem participação relevante nas exportações. Por isso, qualquer ameaça de interrupção dos fluxos pelo Mar Negro tende a aumentar a volatilidade das cotações internacionais.
Segundo a Granar, o mercado passou a refletir com maior intensidade os riscos relacionados à região do Mar Negro. A paralisação das exportações de trigo dos dois países, apontada pela consultoria, representa um fator de pressão sobre a oferta global.
A possibilidade de novos ataques também estimulou a atuação de investidores especulativos, reforçando o movimento de alta em Chicago.
Com o avanço desta quarta-feira, o trigo atingiu o maior nível desde meados de 2014, em um movimento que recoloca os riscos geopolíticos no centro das atenções do mercado internacional de grãos.
Milho
O contrato futuro do milho para entrega em dezembro avançou 2,48% na Bolsa de Chicago e encerrou o pregão cotado a US$ 5,36 por bushel.
Segundo a Granar, os preços do milho subiram por mais um pregão consecutivo em Chicago e alcançaram o maior nível em 19 meses. Entre os fatores que sustentaram a alta estão as perspectivas de uma safra norte-americana menor do que as projeções oficiais e as dificuldades enfrentadas pela Ucrânia para manter o ritmo das exportações.
A situação no Mar Negro voltou a ganhar relevância para o mercado em que parte do fluxo de milho ucraniano depende da infraestrutura da região, que tem sido afetada pelos ataques russos.
Para a Royal Rural, a possibilidade de uma nova escalada do conflito aumenta novamente o prêmio de risco incorporado aos preços dos grãos. Depois de um período em que os mercados tentavam reduzir esse prêmio, o enfraquecimento das negociações diplomáticas e a intensificação dos ataques reacenderam as preocupações com a logística de exportação.
Além dos riscos geopolíticos, o mercado acompanha as perspectivas para a produção europeia. A expectativa desfavorável para a safra de milho da União Europeia já começa a influenciar o ritmo das importações do bloco.
Soja
O preço futuro da soja para entrega em novembro encerrou o pregão com alta de 2,28% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 12,66 por bushel.
Segundo a Granar, a soja registrou ganhos significativos em Chicago, em um dia marcado pela atuação compradora de fundos de investimento nos mercados de commodities agrícolas.
Entre os fatores que deram suporte às cotações estão novas compras de soja dos Estados Unidos pela China e a valorização do farelo de soja. O movimento também acompanhou a força do mercado de milho.
A possibilidade de uma redução na produção de milho pode favorecer o farelo de soja no mercado de ração animal, já que o cereal perderia espaço para outros ingredientes utilizados na alimentação.
O farelo de soja para setembro também registrou forte alta, em que o contrato avançou US$ 9,26 e encerrou o dia cotado a US$ 362,33 por tonelada.


