Trigo recua em Chicago com expectativa de trégua no Mar Negro no radar

Mercado acompanha proposta de trégua no Mar Negro, enquanto exportações de trigo dos EUA ficam dentro das expectativas dos operadores

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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O preço futuro do trigo encerrou a sessão desta quinta-feira (18) em baixa na Bolsa de Chicago, em um mercado pressionado pela ausência de notícias positivas e pelas expectativas de uma possível solução diplomática para reduzir as interrupções nas exportações de grãos pelo Mar Negro. O contrato para entrega em dezembro recuou 1,75% e terminou o dia negociado a US$ 7,14 por bushel.

A possibilidade de uma trégua entre Rússia e Ucrânia voltou ao radar dos operadores depois de uma reportagem da agência AFP apontar que a Turquia teria enviado uma proposta aos dois países para suspender os ataques contra a navegação comercial no Mar Negro. A região é uma importante rota para o comércio internacional de grãos, e uma eventual redução das tensões poderia facilitar o fluxo das exportações.

O mercado, no entanto, permanece cauteloso diante da possibilidade de avanço nas negociações. A Turquia já apresentou propostas semelhantes anteriormente, enquanto o acordo entre Rússia e Ucrânia para interromper ataques à infraestrutura energética, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na segunda-feira, teve impacto limitado sobre as operações no terreno.

Do lado da demanda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que as vendas líquidas de exportação de trigo americano somaram 325,9 mil toneladas na semana encerrada em 10 de setembro. O resultado ficou dentro das expectativas do mercado, que variavam entre 150 mil e 500 mil toneladas.

Milho

O milho encerrou a sessão em baixa na Bolsa de Chicago, acompanhando a pressão observada entre outras commodities agrícolas. O contrato com vencimento em dezembro recuou 0,57% e fechou negociado a US$ 5,27 por bushel.

Segundo o Barchart, a pressão sobre os preços veio principalmente da queda de dois dígitos nos contratos de soja e trigo, além da desvalorização do petróleo bruto.

Além disso, o mercado acompanha as exportação de milho para a safra 2026/27 somam 17,4 milhões de toneladas até a atualização divulgada na quinta-feira (17), volume 27% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. O total corresponde a 21% da projeção de exportações do  USDA, abaixo dos 28% registrados há um ano e da média de 48% dos últimos cinco anos.

Enquanto a demanda externa perde ritmo, o avanço da colheita americana também entra no radar do mercado. De acordo com o USDA, 8% da área de milho já havia sido colhida até o último domingo, acima da média de 6% para o período. Além disso, 42% da safra estava madura, ante média histórica de 38%.

Soja

A soja recuou nesta sessão na Bolsa de Chicago, pressionada principalmente pela realização dos preços do farelo após uma sequência de cerca de 35 dias de valorização. O movimento do derivado vinha dando sustentação às cotações da oleaginosa nas últimas semanas, mas a perda de força do farelo passou a pesar sobre o mercado.

O contrato futuro da soja com vencimento em novembro fechou negociado a US$ 13,03 por bushel, com queda de 1,23%.

De acordo com a Royal Rural, o  Senado da Argentina aprovou uma proposta que eleva de 7,5% para 10% a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel. A medida ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados.

Como o biodiesel argentino é produzido principalmente a partir do óleo de soja, uma eventual elevação da mistura pode aumentar a demanda pelo óleo e estimular o esmagamento da oleaginosa. Com maior processamento, a oferta de farelo também tende a crescer. Em um cenário de impacto máximo, a mudança poderia resultar em até 1,15 milhão de toneladas adicionais de farelo, segundo a análise da Royal Rural.

A estimativa, no entanto, não representa necessariamente um aumento integral da oferta, já que parte da demanda adicional por óleo pode ser atendida por volumes que seriam destinados à exportação. Ainda assim, o mercado passa a considerar a possibilidade de maior disponibilidade de farelo argentino justamente em um momento de realização dos preços do derivado nos Estados Unidos.