Ucrânia perde um terço da capacidade de exportação de grãos no Mar Negro
Exportações agrícolas, como grãos e óleos vegetais, continuam sendo a maior fonte de receita em moeda estrangeira da Ucrânia, com mais de 90% desses produtos sendo embarcados por três portos localizados na região sul de Odesa

A Ucrânia perdeu cerca de um terço de sua capacidade de exportar grãos por meio de seus estratégicos portos no Mar Negro devido à intensificação dos ataques russos com mísseis e drones, informou a principal união de agricultores do país.
Mais de quatro anos após o início da guerra com a Rússia, as exportações agrícolas, como grãos e óleos vegetais, continuam sendo a maior fonte de receita em moeda estrangeira da Ucrânia, com mais de 90% desses produtos sendo embarcados por três portos localizados na região sul de Odesa.
No âmbito de um acordo destinado a permitir que ambos os países exportassem grãos pelo Mar Negro, os portos de Odesa movimentavam cerca de 6 milhões de toneladas métricas de carga por mês.
No entanto, tanto Moscou quanto Kiev vêm intensificando os ataques contra importantes fontes de receita do adversário. As forças ucranianas têm atingido a infraestrutura energética russa, incluindo navios-tanque de petróleo, enquanto a Rússia aumentou, nas últimas semanas, seus ataques aos portos do Mar Negro.
"A Rússia começou a atacar sistematicamente a infraestrutura portuária, os terminais e toda a cadeia logística de transporte, utilizando repetidamente mísseis balísticos", afirmou o departamento de comércio da UAC (União dos Agricultores da Ucrânia) em um relatório semanal divulgado na noite de terça-feira (14).
"Atualmente, conseguimos embarcar, em média, cerca de 4 milhões de toneladas métricas de grãos por mês", acrescentou.
O Ministério da Economia da Ucrânia deveria realizar uma reunião nesta quarta-feira para discutir os ataques aos portos.
Ataques russos causam dificuldades logísticas para os comerciantes
Nas últimas safras, a Ucrânia respondeu por cerca de 6% das exportações mundiais de trigo e aproximadamente 11% das exportações globais de milho, o que significa que essas interrupções, caso se prolonguem, poderão afetar os mercados internacionais.
Embora os portos continuem operando, a UAC alertou que, se a atual intensidade dos ataques persistir e não forem realizados reparos, a infraestrutura poderá sofrer danos significativos dentro de alguns meses.
Fontes do setor disseram à Reuters que os comerciantes enfrentam sérios problemas logísticos.
"Os portos não pararam completamente, mas os comerciantes enfrentam dificuldades na aquisição, nas vendas, nos embarques, na acumulação de cargas, nos preços e nos custos de frete", afirmou à Reuters um alto representante do setor.
Dados da empresa estatal Ferrovias Ucranianas mostraram que o número de vagões ferroviários carregados com grãos destinados aos portos de Odesa caiu 11% na semana de 2 a 8 de julho em comparação com a semana anterior, enquanto as exportações recuaram 17%.
A Kernel Holding, maior exportadora de grãos da Ucrânia, informou nesta semana que suspendeu suas operações no porto de Chornomorsk devido a uma série de ataques russos.
Além disso, quatro dos 13 grandes terminais de grãos dos portos suspenderam a compra de grãos, informou outra fonte do setor nesta quarta-feira.
Analistas da consultoria ASAP Agri afirmaram que "a relutância generalizada" dos armadores em enviar navios aos portos ucranianos também elevou os custos de frete.
Bohdan Kostetskyi, analista da consultoria Barva Invest, escreveu em um artigo para o veículo ucraniano Agrotimes que os portos perderam um terço de sua capacidade de armazenamento de grãos.
"A perda de cerca de 2,5 milhões de toneladas de capacidade mensal de armazenamento nos portos de águas profundas criou um gargalo para os grãos, fazendo com que parte dos volumes não consiga chegar aos destinos de exportação", afirmou.


