Varejistas europeias cobram tradings sobre cumprimento da Moratória da Soja

Grupo internacional expressou preocupação com saída da Abiove da Moratória da Soja, acordo que visa garantir que a soja comercializada não seja proveniente de áreas desmatadas após 2008

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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Um grupo de 13 varejistas europeias enviou uma carta às maiores tradings agrícolas do Brasil exigindo esclarecimentos sobre a continuidade no acordo da Moratória da Soja e os métodos que serão usados para garantir que a soja comprada na Amazônia seja livre de desmatamento.

Em documento obtido pela CNN Brasil revela que o Retail Soy Group, organização formada por grandes redes de varejo como Tesco, Lidl, Marks and Spencer, ALDI Nord, ALDI Süd e Swiss Soy Network, enviou uma carta aos CEOs das gigantes do agronegócio ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Company (LDC) e Cofco, com cópia para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e para o presidente da Abiove, André Nassar.

O grupo internacional expressou preocupação com a decisão da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e das empresas citadas de se retirarem voluntariamente da Moratória da Soja na Amazônia (ASM), acordo que visa garantir que a soja comercializada não seja proveniente de áreas desmatadas após 2008.

Segundo o documento, os compradores esperam que a soja continue sendo produzida sem desmatamento, ressaltando que proteções consistentes são essenciais para manter a resiliência da produção brasileira, cumprir compromissos climáticos e atender às expectativas de investidores e parceiros comerciais.

O Retail Soy Group alertou ainda que a retirada do moratória pode enfraquecer mecanismos de prevenção ao desmatamento, comprometer esforços de acordos colaborativos e ameaçar a sustentabilidade dos varejistas europeias.

Apesar da decisão das empresas, o grupo afirmou que seus próprios compromissos permanecem claros, e que continuará a excluir qualquer soja do bioma amazônico produzida em áreas desmatadas após 2008.

A retirada da Abiove do acordo ocorre em meio a mudanças legais em Mato Grosso, que é o maior produtor de soja do Brasil, respondendo por cerca de 30% da colheita na safra 2024/25, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A nova lei estadual retira benefícios fiscais de tradings que mantenham compromissos voluntários de sustentabilidade acima do exigido por lei, pressionando empresas a reavaliarem sua participação na Moratória.

A Abiove afirmou que a Moratória, criada em 2006, "cumpriu seu papel histórico ao longo de quase duas décadas, deixando um legado incontestável que consolidou o Brasil como referência global em produção sustentável".

A Moratória da Soja é um pacto voluntário entre empresas compradoras, que proíbe a aquisição de soja cultivada em áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, com o objetivo de preservar a floresta.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) informou que criou um sistema próprio de monitoramento para fiscalizar empresas que descumprirem a lei e alertou que o decreto estadual que regulamenta a norma pode facilitar tentativas de burla por meio de "condutas dissimuladas".

Segundo a agência Reuters, algumas das maiores tradings mundiais já se preparavam, desde o fim de dezembro, para deixar o acordo, buscando manter benefícios fiscais no estado.