Dolce Vita em Minas: aceleramos o Fiat 147, primogênito da marca no Brasil
Cinco décadas depois de sua estreia, uma volta ao volante do primeiro Fiat produzido no Brasil para entender por que um compacto dos anos 70 ainda representa um capítulo importante da indústria nacional
Há carros que a gente testa pela novidade. Outros, pela tecnologia. E existem aqueles em que a experiência começa antes mesmo de girar a chave. Foi assim ao voltar ao volante de um Fiat 147, exatamente 50 anos depois de sua chegada ao mercado brasileiro.
Na segunda metade dos anos 70, o mercado brasileiro ainda tinha no Volkswagen Fusca um de seus principais representantes entre os carros populares. O 147 chegou com outra concepção. O desenho quadrado, compacto e de inspiração italiana escondia uma solução mecânica que fazia diferença: o motor transversal, instalado de maneira a aproveitar melhor o espaço disponível. O estepe ficava no compartimento dianteiro, junto ao motor, outra característica que chama atenção quando abrimos o capô.
A CNN Brasil dirigiu uma unidade do 147 o no Mega Space, em Santa Luzia (MG), na grande Belo Horizonte: uma espécie de viagem no tempo. Hoje, suas dimensões parecem pequenas: são 3,66 metros de comprimento e 2,22 m de entre-eixos. Mas a proposta era aproveitar cada centímetro. O porta-malas comporta 390 litros e a cabine acomoda cinco ocupantes.
O carro também utilizava câmbio manual de quatro marchas. Ao volante, a primeira coisa que me chamou atenção foi justamente aquilo que hoje parece tão distante: o volante grande, de aro fino, combinado a comandos simples e um painel sem a quantidade de informações que encontramos nos carros atuais.

A direção é leve e, por ser um carro pequeno e relativamente leve, o 147 responde rapidamente aos comandos. Depois de me adaptar ao câmbio, a condução fica bastante intuitiva. É uma experiência muito diferente daquela proporcionada por um carro moderno, mas também mostra como a proposta original era coerente.
Pequeno notável
O Fiat 147 não foi importante apenas por ser compacto. Em 1979, tornou-se o primeiro automóvel produzido em série no mundo equipado com motor a etanol, tecnologia que posteriormente teria enorme relevância para a indústria brasileira. Antes disso, ainda em 1976, a Fiat já havia apresentado um protótipo do 147 movido a etanol, que acumulava quilômetros de testes.

Ao longo dos anos, o modelo também deu origem a diferentes versões e derivados, como a picape e a Panorama. Durante a visita ao acervo, encontrei unidades preservadas com quilometragens quase simbólicas. Uma delas marcava apenas 219 km; outra, 331 km. São carros que ajudam a visualizar uma época em que soluções hoje comuns ainda estavam sendo introduzidas no Brasil.
Compacto, econômico e concebido para aproveitar bem o espaço, o 147 trouxe ao Brasil uma combinação de soluções que ajudou a mudar o segmento de entrada. Havia tecnologia italiana, mas também adaptações ao mercado brasileiro, incluindo o desenvolvimento do motor a etanol.
Cinquenta anos depois, voltar ao volante desse carro é uma oportunidade de perceber, de maneira concreta, como a indústria automotiva brasileira mudou. E também de lembrar que alguns dos capítulos mais importantes dessa história começaram com um carro pequeno, simples e bastante diferente do que existia por aqui.


