Nova mistura de etanol: especialista explica impactos para motoristas
O especialista automotivo e colunista da CNN Jorge Moraes avalia impactos do aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina para veículos antigos e novos
O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A mudança, conhecida como E32, levanta dúvidas entre motoristas sobre os possíveis impactos nos veículos e no preço do combustível na bomba. Ao CNN 360°, o especialista automotivo e colunista da CNN Jorge Moraes avaliou os efeitos da medida para diferentes tipos de veículos que circulam pelo país, do carro clássico ao híbrido eletrificado.
Carros antigos exigem atenção redobrada
Segundo Jorge Moraes, os proprietários de veículos mais antigos, como carros a gasolina sem tecnologia flex, devem ficar atentos a alguns componentes do sistema de combustível.
"O etanol tem um poder calorífico bem diferente em relação à gasolina, então você vai observar as mangueiras que fazem parte desse sistema, as velas de ignição, todo o processo", afirmou. No caso de veículos sem bico injetor, como o Fusca, a preocupação se concentra especialmente na bomba de combustível e nas mangueiras.
O especialista também destacou que proprietários de carros clássicos e antigos frequentemente optam por uma gasolina especial, disponível em padrão de preço diferenciado, justamente para preservar os componentes do motor. "Isso, de alguma forma, vai prejudicar o proprietário do carro clássico, do carro antigo", pontuou Moraes.
Para os veículos mais novos, incluindo os híbridos e os elétricos que chegam ao Brasil, Jorge Moraes garantiu que não há motivo de preocupação.
"O carro eletrificado que vem da China, por exemplo, que hoje é o maior fornecedor dessa tecnologia para o Brasil, já vem praticamente convertido a essa mistura de combustível", explicou. Segundo ele, a engenharia já foi desenvolvida prevendo uma mistura próxima dos 35% de etanol, antecipando futuras mudanças.
Com relação à tecnologia híbrida Flex, desenvolvida no Brasil, o especialista afirmou que ela foi preparada para combinar o etanol com a eletrificação sem qualquer prejuízo mecânico.
"Os carros completamente adaptados, os novos que estão chegando, eles tiram de letra, não vai ter problema algum, porque eles foram tropicalizados", disse Moraes.
Impacto no bolso do consumidor
Apesar do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ter mencionado a possibilidade de redução de 3 centavos no preço da gasolina na bomba, Jorge Moraes foi cético quanto ao repasse efetivo ao consumidor.
"Essa redução prometida pelo ministro Alexandre, ela dificilmente chega na bomba, infelizmente", declarou. Além disso, o especialista lembrou que o etanol evapora mais rapidamente do que a gasolina, o que pode reduzir levemente a autonomia dos veículos.
"É contra o bolso do consumidor nesse sentido, porque na prática é desse jeito que vai funcionar", afirmou.
Moraes também chamou atenção para a disparidade regional no preço do etanol. Enquanto em algumas regiões o combustível pode ser encontrado por cerca de R$ 4,00, em cidades como Recife o valor pode ultrapassar R$ 5,00, chegando próximo a R$ 6,00.
"Nunca vai ficar essa diferença a favor do motorista que está indo abastecer", concluiu.
Ao fazer um balanço da medida, Jorge Moraes reconheceu que, apesar do custo imediato ao consumidor, a mudança traz benefícios para o setor e para o meio ambiente. "O governo fala em economia de 450 milhões de litros, a dependência da gasolina fica menor, ponto positivo", avaliou.
Para o especialista, com o avanço da eletrificação nos carros compactos, o consumidor tende a ter ganhos de economia no futuro. "Eu acho que é uma parcela de contribuição que ele pode dar para o avanço do setor, e o Brasil como relevância no combustível limpo", finalizou Moraes.


