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    Novo Ford Mustang tem estilo anos 80 por R$ 529 mil

    Feito para atrair novos e velhos clientes, modelo recria visual da terceira geração com tecnologia do século 21

    Ford Mustang 2024 une visual dos anos 1980 com tecnoligia do século 21
    Ford Mustang 2024 une visual dos anos 1980 com tecnoligia do século 21 Divulgação / Ford

    Eugênio Augusto Britocolaboração para a CNN Em Tatuí (SP)

    A Ford começa a vender nesta segunda-feira (25) a sétima geração do seu cupê esportivo Mustang GT Performance (projeto S650), que chega como linha 2024, por importação, direto da fábrica de Flat Rock, em Detroit (EUA). O preço sugerido é de R$ 529 mil.

    Apesar do visual parecido com o do Mustang atual (sexta geração reestilizada), lançado no Brasil em 2018, a Ford aponta que o novo modelo é feito sobre plataformas construtiva e de tecnologia diferentes. Assim, entrega motor V8 mais forte (o Brasil segue sem acesso ao Mustang Ecoboost, mais “urbano”), assistências ao condutor ampliadas e nível inédito de conectividade na linha.

    De acordo com executivos, encomendas para o novo modelo podem ser feitos em qualquer uma das 110 lojas da Ford em todo o país. As entregas devem começar no final de junho, sobretudo para um lote inicial estimado pela fabricante em cerca de 200 unidades.

    Assim como ocorre com a atual geração do Mustang – representada pela versão Mach 1 (configuração com performance em pista), de R$ 576.490 –, o novo Mustang receberá manutenção e reparos mais complexos em 50 concessionários autorizados. A garantia é de 3 anos.

    De acordo com Dennis Rossini, gerente de marketing da Ford Brasil, o novo Mustang terá a responsabilidade “de ser o último muscle car no mercado, uma vez que o rival [Chevrolet] Camaro Collection está sendo encerrando”.

    Por um lado, o Mustang pode não ter o arquirrival Camaro (vendido em série limitada a 125 unidades e praticamente esgotada, desde 2022, a R$ 555 mil) dividindo emplacamentos no Brasil. Por outro, terá de encarar modelos europeus poderosos: a líder Porsche entrega três vezes mais unidades tanto de 911 (combustão), quanto de Taycan (quatro-portas elétrico); há ainda BMW e Audi, que vendem menos que a Ford.

    Por conta disso, além dessa versão de base, a Ford já estuda trazer para o Brasil versões baseadas em carros de competição e hiper-exclusivas, como o Mustang GTD, série especial e limitada de mais de 800 cv, que será lançada até 2025 por mais de US$ 300 mil.

    Como é o Ford Mustang 2024

    Se o Mustang lançado globalmente em 2018 era uma homenagem visual ao primeiro Mustang, de 1964, essa nova geração parece trazer uma evolução de design externo, mas com mais vincos e ângulos negativos.

    Este é o caso da traseira, porção que curiosamente parece demais com a do rival Camaro, inclusive na abertura da tampa do porta-malas (com volume de 377 litros). Spoiler e emblema lembram que a versão que chega ao Brasil não é a mais básica, já incluindo de fábrica um pacote aerodinâmico vendido no exterior como opcional.

    Típico do Mustang, o conjunto de lanterna traseira tem três elementos ópticos, que voltam a ter a luz de seta progressiva. Traduzindo: cada um dos três elementos se acende alternadamente, indicando visualmente para qual lado o motorista pretende manobrar.

    Essa era uma caraccterística clássica do Mustang, mas que a sexta geração perdeu ao adotar os LEDs. Com o avanço da tecnologia, agora a Ford consegue mesclar os diodos de luz com truque visual.

    “Celebrando” o feito tecnológico, a Ford replica a trinca de elementos também na dianteira: os faróis são formados por três projetores, ao passo em que três guias de luz, logo acima, formam as luzes de posição, que também acendem de forma progressiva.

    A grande frontal ainda mantém o estilo em “U”, mas agora também é tripartida, novamente evocando visual histórico do Mustang.

    Internamente, porém, a “herança” vem da terceira geração (1979, conhecida como Fox), com módulos de portas e painel com motivos quadriculados, típico de equipamentos dos anos 1980, mas cheio de telas, para atrair novos consumidores.

    Painel de instrumentos e tela central formam peça única de mais de 25 polegadas conjuntas, curvada em direção ao motorista. Apesar de totalmente configurável (e com seis memórias de perfil), o conjunto de telas sempre vai exibir os comandos de ar-condicionado e climatização dos bancos.

    Partida do motor, volume do áudio, freio automático e luzes de emergência também são sempre encontrados em botões físicos, que ficam dentro de um nicho que tem exatamente a mesma silhueta de um tocador de fitas cassete (ou tape deck), como os oitentistas reconhecerão.

    Também é retrô a manopla do freio de estacionamento, agradando aos fãs de drift – o carro, inclusive, tem um modo de condução específico para essa prática.

    Em termos de proporções, o Mustang 2024 parece mais longo (sobretudo mais bicudo e com balanço traseiro maior), ainda que a cabine esteja mais recuada.

    Na prática, com 4,81 metros de comprimento, 2,72 m de entre-eixos, 1,91 m de largura e 1,39 m de altura, o novo Mustang cresceu 3 cm, ficou ligeiramente mais baixo, mantendo o espaço interno. O tanque de gasolina é de 60 litros.

    Ford Mustang 2024 têm câmbio automático de 10 marchas e alavanca de freio comum
    Ford Mustang 2024 une tecnologia atual com visual retrô / Divulgação / Ford

    Novo motor Coyote

    Engenheira brasileira da Ford, Ariane Campos aponta que o trem-de-força do novo Mustang GT Performance traz a quarta geração do motor Coyote, um V8 de 5 litros com novo sistema de alimentação para a dupla bancada de cilindros, além de novos sistemas de indução e escape menos restritivo.

    Mais forte, entrega 488 cv (a 7.250 giros) e 58 kgfm de torque (a 5.000 rotações), acelerando o Mustang de 0 a 100 km/h em 4,3 segundos, sob controle do câmbio automático de 10 marchas com trocas revistas. Tem ainda som mais encorpado, mas que pode até ser silenciado eletronicamente num dos modos de condução.

    A eletrônica permite ainda que a Ford ofereça cinco modos de condução (normal, esportivo, escorregadio, pista e pista drag) para o motorista, além de personalizações para assistência de direção, ronco, rigidez de suspensão, sensibilidade do acelerador, rotação e velocidade de trocas, atuação dos controles de estabilidade e tração, som do motor na cabine e visual do painel de instrumentos.

    Também há um dedo da tecnologia na suspensão magnética (MagneRide de nova geração), que pode até ajudar o carro a atravessar buracos.

    Com barras estabilizadoras do Mach 1, mas trocando os pneus Michelin por Pirelli P-Zero, o novo Mustang tem ainda freios Brembo (dianteiro de 390 mm e 6 pistões, traseiro de 355 mm e 4 pistões), diferencial traseiro com deslizamento limitado e peso mais dianteiro (proporção 55/45).

    Ainda de acordo com a Ford, esse novo Mustang “comum” é mais eficiente na aceleração e nos contornos de curva que o atual Mach 1 (ganhando “um segundo no miolo de pista”), ainda que não seja tão veloz (“perde em 0,5 segundo no tempo final”), em testes feitos no centro de treinamento da empresa em Tatuí (SP).

    É com essa mistura de performance e praticidade que a Ford espera atrair velhos e novos clientes com essa nova geração do últimos dos muscle cars.

    Ford Mustang 2024 tem tampa traseira e spoiler inspirados em modelo de 1979
    Ford Mustang 2024 tem tampa traseira e spoiler inspirados em modelo de 1979 / Divulgação / Ford
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