Novo Mini Cooper é rápido e bonito, mas não vale o preço pedido pela BMW

Os valorescomeçam em cerca de US$ 45 mil nos EUA para este modelo maluco de edição limitada. Isso é mais que o dobro do preço base dos Mini Coopers mais baratos

Peter Valdes-Dapena,
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Os Mini Coopers são carrinhos rápidos e diferenciados, mas não são os mais confortáveis ou práticos. Ao melhorar nos quesitos velocidade e peculiaridade, o Mini Cooper John Cooper Works GP o faz às custas de conforto, praticidade e, é claro, do preço.

A questão é: essas compensações valem a pena?

Os preços começam em cerca de US$ 45 mil nos EUA para este modelo maluco de edição limitada. Isso é mais que o dobro do preço base dos Mini Coopers mais baratos e é cerca de US$ 12 mil a mais do que o Mini de alto desempenho “normal” John Cooper Works.

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O pequeno motor de quatro cilindros do Mini Cooper JCW GP produz 301 cavalos de potência, em comparação com 228 no modelo não-GP John Cooper Works. Daí para frente as coisas ficam muito estranhas. Para economizar peso, não há bancos traseiros. Isso também abre espaço para uma barra de metal que fica de ponta a ponta atrás dos bancos dianteiros. Também há um enorme aerofólio na parte de trás. São, na verdade, duas asas empilhadas, estilo biplano, uma em cima da outra. Eles ajudam a fixar as rodas traseiras no solo em altas velocidades.

Depois, há as próprias rodas. Eles são extra largas; então, para evitar que fiquem salientes, os designers adicionaram carenagens que se projetam sobre cada uma. Apenas para se divertir, eles transformaram essas carenagens em grandes painéis de fibra de carbono, feitos de material que sobrou da fabricação de carros elétricos da BMW, a empresa mãe do Mini. Os frontais são gravados com o número exclusivo de cada carro de edição limitada, já que apenas 3.000 serão produzidos. Esses acessórios externos fazem com que o Mini Cooper JCW GP pareça ainda mais selvagem do que já é. O departamento de design do Mini não se conteve em nada.

Para apresentar o carro aos jornalistas, a Mini organizou em setembro um evento no Monticello Motor Club, um clube privado a noroeste da cidade de Nova York. O local tem sua própria pista onde os proprietários de carros velozes podem dirigir até seus limites com relativa segurança e sem medo de serem processados.

Mini Cooper
Não há bancos traseiros no Mini Cooper John Cooper Works GP. No lugar deles, há uma barra de reforço de metal.
Foto: BMW

Foi aí que descobri que o Mini Cooper JCW GP tem limites. Não sou um bom motorista. Certamente não sou nenhum John Cooper, o piloto britânico e designer de carros de corrida que criou versões vencedoras de carro de corrida dos modelos Mini na década de 1960. Fiquei surpreso por realmente ter conseguido atingir os limites deste carro antes de chegar aos meus próprios limites.

O GP. Os pilotos de teste do site Edmunds.com conseguiram ir de zero a 100 km/h em 5,1 segundos, o que é impressionante para um pequeno carro com tração dianteira. Tem uma velocidade máxima de 265 km/h. Em uma pista sinuosa, eu não cheguei perto disso, embora tenha atingido três dígitos.

O carro está disponível apenas com câmbio automático, algo que está se tornando cada vez mais comum em carros de alto desempenho. Atualmente, poucos humanos podem mudar de marcha de forma mais rápido e inteligente do que uma boa transmissão automática. E seu câmbio é mesmo muito bom, lidando com a tarefa tão bem quanto eu queria. Eu mesmo selecionei as marchas algumas vezes usando as alavancas atrás do volante, mas, na verdade, foi só para me divertir.

O GP se deu bem nas curvas, embora se incline para fora como é de se esperar de um carro razoavelmente quadrado. No entanto, a direção não parecia tão afiada quanto eu esperava. Os freios fortes proporcionaram uma sensação agradável e diminuíram a velocidade do carro de forma rápida, mas previsível, ao fazer curvas.

O verdadeiro problema foi ao sair das curvas. Quando meu pé direito se moveu para o pedal do acelerador e o pressionou, eu imediatamente descobri algo: grandes porções de torque steering apareceram. Se você não estiver familiarizado com isso, o torque steering é a tendência dos carros com tração dianteira de esterçar involuntariamente para um lado sob forte aceleração.

O GP foi sugado para o lado como se alguém tivesse segurado o volante e puxado. Eu corrigi puxando o volante para trás, o que criou um movimento de contorção pela pista. Aprendi a mitigar isso pegando um pouco mais leve no acelerador nas saídas das curvas e, como agora eu sabia o que vinha pela frente, corrigindo com mais cuidado. Mas certamente foi um balde de água fria na diversão.

Alguns carros de alto desempenho com tração dianteira conseguiram superar esse problema. Recentemente, dirigi o Honda Civic Type R, por exemplo, e não percebi o problema. O Civic Type R é outro modelo de desempenho de edição limitada com grandes aerofólios, portanto um concorrente próximo do Mini GP. Bom, as principais diferenças são que o Honda tem quatro portas e bancos traseiros e custa milhares de dólares menos que o Mini. Claramente, algo poderia (e deveria) ser feito para consertar o violento problema de torque do Mini.

Meu maior problema com o Mini Cooper JCW GP, porém, é que, no geral, ele realmente não vale o custo em conveniência ou em dólares. Em parte, isso é uma prova de como até um Mini Cooper comum é divertido. (Meu favorito pessoal na linha é o elétrico Mini Cooper SE.) O grande aerofólio, a falta de assentos traseiros e alguma potência extra simplesmente não adicionam o suficiente para fazer este carrinho louquinho valer a pena.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

 

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