Adriana De Luca
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Adriana De Luca

Paulistana, nascida e criada na Zona Leste. Há mais de 15 anos cobre segurança pública. Explica investigações e crime organizado para além dos fatos

Cezinha era visto como capaz de atuar para emplacar vaga no STF, diz Dino

Segundo decisão do ministro, diálogo entre deputado e investigada sugere que ela acreditava na capacidade de Cezinha de Madureira de interferir na escolha de integrantes da Corte

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O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal (STF), identificou indícios de que pessoas investigadas na Operação Transparência acreditavam que o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) tinha influência que poderia influenciar na composição da Suprema Corte.

A conclusão aparece na decisão que autorizou a terceira fase da operação da Polícia Federal, deflagrada nesta segunda-feira (14). O ponto é baseado em uma conversa entre Cezinha e a advogada Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, que teve o celular apreendido em uma fase anterior da investigação.

Em 16 de outubro de 2025, Mariângela encaminhou a Cezinha uma notícia sobre uma reunião mantida pelo deputado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então advogado-geral da União, Jorge Messias. Na época, Messias era apontado como possível candidato a uma vaga no Supremo.

Na sequência, Mariângela escreveu ao deputado: “Tu vais fazer mais um!”. Para Dino, a frase, considerada no contexto das demais conversas analisadas pela PF, sugere que os envolvidos percebiam Cezinha como alguém com capacidade de influenciar a própria composição do STF.

A interpretação do ministro não aparece isoladamente na decisão. Segundo a investigação, as mensagens analisadas indicam que Mariângela e Valéria Rodrigues Linhares, mulher de Cezinha, teriam estabelecido uma parceria para buscar decisões favoráveis em processos no STF com o auxílio do deputado.

Em outro trecho, a decisão descreve Cezinha como responsável, segundo a hipótese investigativa, pelo contato pessoal e direto com ministros de tribunais superiores. O padrão identificado pela PF seria o envio de peças e memoriais ao deputado, seguido de mensagens nas quais ele afirmava ter “falado”, “despachado” ou “pedido” algo a um ministro.

Um dos diálogos considerados centrais ocorreu em 12 de junho de 2025. Na ocasião, Cezinha afirmou que falaria por vídeo com o ministro Kassio Nunes Marques e disse que já havia avisado “aquela pessoa que tinha um tema para tratar com ele”. Para a PF, os aparelhos do deputado podem esclarecer quem era essa pessoa e qual era o assunto.

A decisão, porém, faz uma ressalva: os ministros citados nas conversas não são investigados. Segundo o documento, não há elementos de que magistrados tenham solicitado, aceitado ou recebido vantagem indevida, nem de que tenham proferido decisões em desacordo com a lei. Eles aparecem nos autos como possíveis destinatários da influência alegada pelos investigados.

A defesa de Cezinha de Madureira afirmou que ele está à disposição das autoridades e que os fatos serão esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida.

Em nota, a assessoria do Tribunal Superior Eleitoral informou que faz parte da rotina dos Ministros do STF atenderem partes de processos em audiências e receberem pedidos. O MInistro Kassio Nunes Marques ouve as partes e recebe os memoriais, mas decide de forma independente e com base nas leis e na Constituição. Em relação ao diálogo mencionado em 12 de junho, segundo a nota, um juiz do gabinete atendeu por vídeo a advogada Mariângela Fialek no dia 01/08/25.