Análise: Conheça as opções militares de Trump contra o Irã
Presidente americano amplia ameaças ao regime dos aiatolás, mas todas as alternativas envolvem riscos elevados

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem endurecendo de forma progressiva o tom ao ameaçar o uso da força contra o regime dos aiatolás no Irã.
Desde o início dos protestos contra o alto custo de vida e em defesa da democracia, que se espalharam pelo país desde os últimos dias de 2025, Trump passou a sinalizar publicamente que Washington não descarta respostas militares para pressionar os aiatolás e tentar conter a repressão violenta contra os manifestantes.
Trump já começou a adotar medidas contra Teerã, através do anúncio de que seu governo vai impor tarifas secundárias de 25% às importações de produtos de países que negociam comercialmente com o Irã, como é o caso do Brasil, da China, da Turquia e de muitos outros.
Uma ação militar pode ser o próximo passo.
E Trump tem muitas opções para isso, embora todas as alternativas contenham também riscos estratégicos e limites sobre o que, de fato, poderiam alcançar em defesa dos manifestantes iranianos.
A própria secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou a possibilidade militar. "Acho que uma das coisas em que o presidente Trump é muito bom é manter todas as opções em aberto, e ataques aéreos seriam uma das muitas, muitas opções disponíveis”, disse ela.
Entre essas opções estão ataques localizados e limitados contra instalações militares iranianas.
Ataques do tipo seriam uma demonstração da força dos Estados Unidos e da fraqueza do Irã em tentar contê-los, mas teriam pouco efeito prático para conter a repressão aos manifestantes. Poderiam, inclusive, fortalecer a narrativa da ditadura iraniana de que os americanos sempre tentam desestabilizar o país.
Um ataque com mísseis contra quartéis da Guarda Revolucionária, um dos pilares de sustentação do regime, poderia ter um efeito mais imediato contra a repressão. Mas levaria a muitas vítimas civis e poderia incentivar uma reação de milícias pró-Irã dentro e fora do território do país.
Uma opção mais extrema seria uma tentativa de troca de regime, com ataques diretos contra autoridades do país ou uma tentativa de captura do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, nos mesmos moldes do que aconteceu com o ditador Nicolás Maduro na Venezuela.
Uma ação desse tipo seria muito mais complicada no Irã, um país que tem muito mais opções militares de defesa do que a Venezuela e vem resistindo há mais de quatro décadas às tentativas de desestabilização do seu regime.
Além disso, a eliminação de Khamenei levaria a um vácuo de poder perigoso no país e a retaliações certas de muitas milícias aliadas do Irã contra interesses dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Qualquer ataque militar poderia desencadear também uma resposta iraniana envolvendo, entre outras ações, uma tentativa de fechar o estreito de Ormuz, o que impediria a exportação de petróleo do Golfo Pérsico, criando uma possível crise econômica.
Um dos fatores que Trump tem que levar em consideração ao decidir que rumo tomar é o posicionamento das tropas americanas na região.
Segundo levantamentos de entidades que monitoram deslocamentos militares e geopolítica, como o Council on Foreign Relations, os americanos têm entre 30 mil e 40 mil militares no Oriente Médio no momento, com bases militares em vários países.
No momento, os Estados Unidos não tem muita cobertura naval na região, sem nenhum porta-aviões por perto desde o deslocamento do USS Gerald Ford para o mar do caribe para atuar na crise com a Venezuela.
Mas pelo menos seis embarcações da Marinha estão na área, incluindo destróieres que podem lançar mísseis sofisticados.
Para evitar ameaças de retaliação, no entanto, a Casa Branca muito provavelmente teria que deslocar mais recursos para a área.
Com isso, uma alternativa potencialmente mais eficaz no curto prazo são ataques cibernéticos.
Os EUA possuem ampla capacidade para atacar sistemas de vigilância, comunicações, bancos de dados e infraestrutura digital do Estado iraniano.
Ciberataques poderiam, por exemplo, dificultar a repressão, expor informações do regime ou contornar bloqueios à internet, facilitando a organização dos protestos e o fluxo de informações para o exterior.
Mas mesmo uma ação cibernética contém riscos.
No caso, a possibilidade de retaliação já que o Irã e seus aliados, como a China e a Rússia, também têm capacidade cibernética ofensiva e poderiam responder atacando sistemas financeiros, energéticos ou governamentais americanos.



