Américo Martins
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Américo Martins

Especialista em jornalismo internacional e fascinado pelo mundo desde sempre, foi diretor da BBC de Londres e VP de Conteúdo da CNN; já visitou mais de 70 países

Governo vê em sanção anti-Moraes prova de tarifaço como manobra política

Fontes ouvidas pela CNN afirmam que a decisão de acionar a Lei Magnitsky contra o ministro do STF, a poucos dias do fim do prazo para imposição das tarifas, revela que o objetivo real de Trump é interferir na democracia brasileira

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O governo brasileiro considera que a aplicação de sanções pelos Estados Unidos ao ministro do STF Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, é a evidência mais clara de que o presidente Donald Trump impôs o tarifaço de 50% ao Brasil por motivações estritamente políticas.

Fontes do governo que acompanham as negociações com Washington disseram à CNN que não é coincidência o anúncio das sanções ter ocorrido no mesmo dia em que Trump assinou o decreto que impõe tarifas de 50% sobre produtos brasileiros — e justamente a poucos dias antes do prazo final das supostas tratativas comerciais (inicialmente, as tarifas iriam começar no dia 1°, mas, após a ordem executiva de hoje, elas passam a valer a partir do dia 6).

Segundo essas fontes, o real interesse de Trump seria influenciar o cenário eleitoral de 2026, favorecendo o campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e abrindo caminho para uma eventual mudança de governo.

Essa leitura também explicaria, de acordo com os interlocutores, por que nenhuma autoridade americana demonstrou disposição real para o diálogo — mesmo após iniciativas diretas de ministros brasileiros com seus equivalentes em Washington.

 

Ou seja, para essas fontes do governo brasileiro, Trump e sua equipe jamais tiveram intenção genuína de negociar um acordo comercial, independentemente dos esforços feitos por ministros ou pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Agora, o Planalto trabalha com a perspectiva de novas retaliações, em um processo de escalada política conduzido por Trump.

A diplomacia brasileira deve divulgar, em breve, uma nota oficial reiterando pontos considerados fundamentais: a defesa da soberania nacional, a independência do Judiciário e a solidariedade institucional ao ministro Alexandre de Moraes — alvo direto das sanções trumpistas.

O comunicado também reafirmará a posição do governo e do presidente Lula desde o início das ameaças: a democracia brasileira e a soberania do Brasil não serão negociadas em nenhuma hipótese.

Apesar disso, ao menos uma das fontes ouvidas pela CNN reforçou que o Brasil pretende manter canais abertos para negociações comerciais estritamente técnicas com os EUA, com o objetivo de proteger a economia nacional e preservar empregos.

Esses entendimentos poderão ocorrer no âmbito do processo de investigação sobre o comércio bilateral, iniciado pelo governo americano por ordem direta de Trump, com base na chamada seção 301 da lei de comércio dos Estados Unidos.