John Kerry elogia luta de Lula por justiça climática e convite a Trump
Ex-enviado dos EUA para o clima diz à CNN Brasil que presidente brasileiro luta por resultados justos e quer todos na mesa de negociações, inclusive o presidente norte-americano

O ex-enviado especial para o clima dos EUA John Kerry elogiou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa da justiça climática e afirmou que considera positiva a intenção do líder brasileiro de convidar o presidente norte-americano Donald Trump para participar da COP30, que será realizada em Belém, no Pará, em novembro.
“Eu acho ótimo que o presidente do Brasil queira que o mundo inteiro esteja lá. Ele quer que todos participem e compartilhem a responsabilidade nisso”, disse Kerry quando perguntado em entrevista exclusiva à CNN Brasil sobre o possível convite para que Trump vá a Belém.
Durante sua recente viagem à Paris, Lula declarou que faria um convite formal a Trump para que ele participasse da Cúpula do Clima, mesmo com as críticas dos EUA ao Acordo de Paris e a defesa do uso de combustíveis fósseis – os maiores responsáveis pelas mudanças climáticas.
Questionado sobre o gesto, Kerry respondeu: “O que o presidente Trump decidir fazer, ninguém saberá até que ele decida. Mas, obviamente, ele poderia, se quisesse, dar uma contribuição positiva muito significativa.”
O ex-secretário de Estado americano reconheceu que a ausência de engajamento dos Estados Unidos em algumas rodadas de negociação preocupa a comunidade internacional e afirmou: “A falta de envolvimento do atual governo dos EUA é, obviamente, uma grande preocupação para o mundo inteiro. Não apenas para as pessoas que estão organizando a COP, mas para todos”.
Justiça climática e protagonismo do Sul Global
Kerry também destacou a atuação de Lula como um líder que tem defendido os países mais vulneráveis aos efeitos da crise climática ao dizer: “Acho que ele está lutando por justiça. Ele está lutando por todos os países que são realmente os mais impactados negativamente pelo que acontece como resultado da crise climática”.
Para o ex-negociador climático dos EUA o presidente Lula vem chamando atenção para um ponto central no debate climático global: a desproporcionalidade entre quem mais sofre com a crise e quem mais contribui para ela.
“A maioria das emissões que causam a crise vem de países desenvolvidos, e 23 deles respondem por mais de 80% dessas emissões. Não são os países mais afetados que estão causando esta crise”, disse.
Kerry também afirmou que o protagonismo de países como o Brasil pode ajudar a reequilibrar a geopolítica da transição energética. “O Brasil é o guardião de uma enorme floresta que pertence aos brasileiros, mas que é respeitada e necessária para o resto do mundo. O país entende essa responsabilidade”.
E ainda afirmou que o mundo precisa reconhecer o valor dos ativos ambientais preservados por povos indígenas e comunidades tradicionais. “Onde há ativos que pertencem a povos indígenas, que pertencem a povos de outro país, deve haver valor dado a esse ativo específico”.
Segundo o ex-enviado especial para o clima dos EUA, a liderança brasileira e o apelo por justiça climática podem ajudar a construir o consenso necessário para que a COP30 seja um marco global. “Espero que [a COP] seja um prelúdio para nos unirmos e alcançarmos isso".




