Análise: Mais Brasil, menos Bolsonaro
À medida que insiste em fazer menções a seu principal adversário, governo perde a oportunidade de falar mais do país e menos do ex-presidente

O governo Lula ainda não conseguiu colocar em prática o discurso de falar menos sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e enfrenta um dilema em pleno ano eleitoral, em que muitos palanques estão polarizados, como legado das eleições de 2022.
É o caso, mais notadamente, da disputa à prefeitura de São Paulo e Rio de Janeiro, onde o presidente Lula se envolverá mais na campanha; e há outros exemplos espalhados pelo país, em que há o candidato de Lula e o candidato de Bolsonaro.
Mas, à medida que insiste em fazer menções a seu principal adversário — hoje inelegível —, o governo perde a oportunidade de falar mais de Brasil e menos de Bolsonaro.
E, ainda mais em ano de eleições municipais, precisamos falar mais de Brasil.
Aos moldes de programas emblemáticos vistos como marcas do governo Lula, a expressão "Mais Brasil, Menos Bolsonaro" poderia ser encarada como uma política de comunicação institucional e pública.
Em abril de 2023, questionado se deixaria de usar em discursos o nome do ex-presidente da República e também do ex-juiz Sergio Moro, Lula prontamente respondeu que não tinha mais motivos para falar "da coisa, nem do coiso". Isso, porém, não aconteceu.
O presidente iniciou nesta semana uma agenda de viagens pelo Brasil, porque quer (e precisa) melhorar sua popularidade, mostrar para a população que o governo tem entregas e que a vida está melhor.
Justificado o primeiro ano em que os passos deixados pelo seu antecessor ainda estavam muito evidentes, nada explica persistir na retórica de falar de Bolsonaro, em palanques ou encontros com ministros, no segundo ano de governo em diante.



