Basília Rodrigues
Blog
Basília Rodrigues

Apura e explica. Adora Jornalismo e Direito. Vencedora do Troféu Mulher Imprensa e prêmios Especialistas, Na Telinha e profissionais negros mais admirados

Gilmar minimiza fala de Hugo e diz não acreditar em aprovação de anistia

Decano da Corte também rebateu tese de que crimes do 8 de Janeiro possam ser perdoados

Gilmar Mendes em entrevista à CNN  • Reprodução
Compartilhar matéria

Para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o Congresso não vai aprovar o projeto de lei que prevê o perdão aos condenados pelo 8 de Janeiro. Em entrevista à CNN, o decano da Corte também minimizou a declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de que não houve tentativa de golpe no país naquele dia.

"É preciso que a gente saiba separar o que é sinal do que é ruído. É preciso que a gente entenda um pouco o universo da política, como isso se dá, os apoiamentos, as cobranças que colegas parlamentares fazem. Portanto, é preciso que nós entendamos isso no seu devido contexto", disse.

Mendes almoçou nesta quarta-feira (12) com Hugo, em um esforço do parlamentar de esclarecer o que disse em entrevista a rádios da Paraíba na semana passada.

Sem citar nomes, o ministro disse acreditar que haverá uma mudança de opinião daqueles que discordam das condenações por tentativa de golpe depois que a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciar políticos que incentivaram os atos criminosos. Entre os investigados estão o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ministros de seu governo.

"Quando for revelada a denúncia, as pessoas vão ter noção de que os fatos não estavam descolados de outros. Não se tratava, portanto, de um passeio no parque. A mim, me parece que é preciso aguardar e não valorar excessivamente essas declarações", disse.

Perguntado se o STF derrubaria uma eventual decisão do Congresso de aprovar texto pró-anistia, Mendes disse que não trabalha nem sequer com a hipótese de que o texto passe.

"Não espero que o Congresso aprove a anistia", resumiu.

Tese

Mendes também respondeu que "com certeza" vale o que prevê a Constituição de que não cabe anistia para crimes cometidos por grupos armados civis ou militares contra a ordem pública.

O decano do STF reagiu às declarações do ministro da Defesa, José Múcio. Ao Roda Viva, da TV Cultura, Múcio afirmou, entre outras coisas, que "não havia ninguém armado" naquele dia.

Sem citar Múcio, o decano do STF rebateu tal interpretação. "O que é estar armado em uma cidade? Carregar barras de ferro e quebrar as paredes de vidro do Supremo Tribunal Federal? É ou não usar violência usar arma, ou pegar as próprias cadeiras e jogá-las contra as paredes como também nós vimos? Tudo isso indica algo extremamente grave. Fatos foram revelados no relatório da Polícia Federal em que 'kids pretos' pensavam em eliminar o presidente da República, o vice, um ministro do Supremo. Estou falando de eliminação física. Matar. Isso é indissociável do movimento que fez todo aquele estrago na Praça dos Três Poderes", respondeu enfaticamente.