Avião da Venezuela chega ao Brasil amanhã para buscar doações, diz Padilha

A aeronave deve pousar no aeroporto de Guarulhos e levará medicamentos e insumos para pacientes que necessitam de diálise

Mateus Salomão e Pedro Moreira, da CNN Brasil, Brasília
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que um avião venezuelano chegará ao Brasil para buscar doações nesta sexta-feira (9). A aeronave será abastecida com insumos de diálise e medicamentos.

Padilha destacou que a iniciativa visa dar apoio aos venezuelanos que tiveram o tratamento colocado em risco com a destruição de um centro de distribuição de insumos durante ação dos Estados Unidos na Venezuela.

“Isso colocava em risco o abastecimento de cerca de 16.000 pacientes que fazem diálise na Venezuela. Desde domingo, coordenado pela Organização Mundial de Saúde, a gente vem reunindo [os insumos]”, afirmou o ministro da Saúde em entrevista nesta quinta-feira (8).

O ministro da Saúde ressaltou que a doação, angariada com ajuda de hospitais universitários e filantrópicos, não afeta o atendimento dos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde).

“Está tudo concentrado no nosso galpão do Ministério da Saúde em Guarulhos. Reunimos 300 toneladas de produto”, disse. O avião venezuelano deve chegar ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, por volta das 7h desta sexta-feira (9).

Segundo o ministro, a iniciativa parte da “solidariedade sanitária na saúde”. “Quando a gente fala de um país vizinho, se o Brasil não ajuda, será afetado caso tenha um colapso no tratamento dos pacientes renais crônicos que fazem diálise na Venezuela”, disse.

Padilha lembrou ainda que o gesto ocorre em retribuição à ajuda da Venezuela ao Brasil durante a pandemia de Covid-19. Em 2021, o país vizinho doou oxigênio ao Brasil diante do colapso no sistema de saúde.

O ministro também enviou uma carta à ministra da saúde venezuelana Magaly Gutiérrez confirmando o envio dos insumos. Ele destacou ainda que o fornecimento não afetará o tratamento dos cerca de 170 mil brasileiros que fazem diálise gratuitamente no SUS.

Leia a íntegra da carta enviada por Padilha:

"Carta nº 2/2026-SERED/DATDOF/CGTEC/GM/MS

Brasília, 08 de janeiro de 2026.

Estimada Ministra Magaly Gutiérrez, Ministra del Poder Popular para la Salud da Venezuela, te escrevo neste dia 8 de janeiro de 2026 para desejar votos de saúde e paz neste início de ano, superando as adversidades que se apresentam aos povos latino-americanos e sobretudo aos trabalhadores da saúde que lutam, no dia a dia, em defesa da vida.

Como já anunciei publicamente, o Ministério da Saúde do Brasil, respondendo a uma solicitação do seu ministério e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), reforçada pelas orientações e das diretrizes do Presidente Lula, está enviando para a Venezuela quarenta toneladas de insumos para o atendimento a pacientes de diálise. Sabendo que mais de dezesseis mil pacientes venezuelanos estão sob risco de vida em função da destruição pelo ataque bélico no último sábado do maior centro de distribuição do estado de La Guaira, o sistema único de saúde do Brasil – SUS – não ficaria de braços cruzados. Esta ajuda do Ministério da Saúde, dos hospitais públicos e filantrópicos que atendem ao povo, sem reduzir o tratamento de diálise para os cerca de 170.000 brasileiros que realizam continuamente e de forma gratuita no SUS.

Neste momento não posso deixar de recordar a letra “Latinoamerica” do grupo musical Calle 13 em que diz “Trabajo bruto, pero con orgullo; Aquí se comparte, lo mío es tuyo. Este pueblo no se ahoga con marullos; Y si se derrumba yo lo reconstruyo”. Da mesma forma como vocês venezuelanos nos estenderam a mão, em meio a crise de oxigênio na região norte do Brasil durante a pandemia da Covid-19, nós retribuímos neste momento de aflição do povo da Venezuela e em quantos outros forem necessários. A saúde se defende com solidariedade e soberania, afinal somos todos irmãos latino-americanos, ou como cantamos “las caras más bonitas que he conocido”.

Aproveito para anunciar que juntamente com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) faremos a aquisição de outros insumos que porventura não tenhamos à disposição no Brasil. Seguiremos em diálogo e cooperação para continuar nossa missão de paz, solidariedade e defesa da vida, prontos para outras ações conjuntas que fortaleçam a saúde do povo brasileiro, venezuelano e de toda a nossa América Latina.

ALEXANDRE ROCHA SANTOS PADILHA
Ministro de Estado da Saúde do Brasil"

*Com informações de Larissa Rodrigues