Quem investe em bitcoin também precisa ter reserva de emergência
Novo título Tesouro Reserva traz importantes mudanças para a construção da reserva de emergência no Brasil

No mundo dos investimentos, existe uma regra básica que muitos investidores de bitcoin e criptomoedas insistem em ignorar: antes de pensar em ativos de risco e de grande volatilidade, é preciso ter uma reserva de emergência.
A lógica é simples, mas frequentemente esquecida diante da empolgação com altas históricas e valorizações astronômicas: quem coloca todo o seu capital em criptoativos, sem deixar um colchão de segurança em renda fixa, corre o risco de ser obrigado a vender suas posições no pior momento possível.
Frequentemente, esse "pior momento possível" pode ser, justamente, quando o mercado está em queda e a vida pessoal cobra uma despesa inesperada.
Nesta segunda-feira (11), o Tesouro Nacional, em parceria com a B3, lançou o Tesouro Reserva, novo título do programa Tesouro Direto pensado para ser uma reserva de emergência simples, segura e acessível.
Para o investidor de bitcoin e criptomoedas, esse lançamento é muito importante. Não porque seja concorrente do bitcoin, mas porque é exatamente o tipo de produto que deveria estar na base da pirâmide de investimentos de quem quer durar no longo prazo no mercado de criptoativos e não ficar pelo caminho em virtude de imprevistos pessoais ou profissionais.
Mas o que é, então, o Tesouro Reserva? Trata-se de um título público federal indexado a 100% da taxa Selic, que pode ser comprado e resgatado 24 horas por dia, sete dias por semana, com aplicação mínima de R$ 1.
Você leu corretamente: funciona sete dias por semana e pode ser negociado a qualquer momento, a qualquer hora. E é extremamente acessível, já que pode ser investido com somente R$ 1,00.
A grande diferença em relação ao Tesouro Selic tradicional é que o Tesouro Reserva não possui marcação a mercado.
Em outras palavras, o seu valor não oscila de acordo com as variações diárias do mercado. O que você aplica é exatamente o que poderá ser resgatado, acrescido do rendimento da Selic, todos os dias. Os resgates são feitos via PIX, com liquidez imediata.
Mas o que isso tem a ver com bitcoin? Tudo. E aqui está o ponto que considero fundamental para o investidor de criptoativos compreender: a reserva de emergência não é a parte chata da carteira que rende menos que o bitcoin.
Ao contrário: é a estrutura que permite que você mantenha suas posições em criptoativos sem ser forçado a vendê-las no pior momento.
Imagine que o investidor decide colocar 100% do seu capital em bitcoin, convicto da tese de longo prazo. Algo bastante errado do ponto de vista de planejamento de investimentos.
Surge uma emergência médica, uma demissão inesperada, ou um conserto urgente na casa. Sem reserva, o investidor será obrigado a vender suas criptomoedas justamente em um momento que, possivelmente, será de queda no mercado.
Resultado: realização de prejuízo, frustração e, na maioria das vezes, abandono definitivo da tese que tinha tudo para dar certo no longo prazo.
Com a reserva de emergência, esse valor não precisaria ter sido vendido, pois a reserva estaria, justamente, à disposição para essas situações emergenciais.
Historicamente, o brasileiro tem uma relação ambivalente com a reserva de emergência. Muitas pessoas mantêm valores significativos na poupança, que rende menos do que a inflação na maior parte do tempo, ou em "caixinhas" de aplicativos bancários, que muitas vezes pagam abaixo de 100% do CDI.
Para o investidor de bitcoin e criptomoedas, antes de fazer qualquer aporte em criptoativos, é fundamental ter uma reserva equivalente a, pelo menos, seis meses dos seus gastos mensais aplicada em um produto seguro e líquido.
Essa reserva precisa ter três características: segurança (não pode perder valor), liquidez (precisa estar disponível imediatamente) e previsibilidade (você precisa saber exatamente quanto vai resgatar). O Tesouro Reserva entrega esses três pilares de forma simples.



