CNH sem autoescola: saiba tudo sobre a mudança que está em análise
Ministério dos Transportes estuda proposta que torna facultativa a frequência em autoescolas, mantendo apenas exames teórico e prático como requisitos para obter CNH
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou na quarta-feira (1º) o fim da obrigatoriedade de frequentar uma autoescola para obter a CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
Agora, o Ministério dos Transportes abre nesta quinta-feira (2) uma consulta pública sobre a proposta que pretende modernizar o processo de formação de condutores no Brasil. A medida tem como principal objetivo reduzir os custos para os cidadãos que desejam se habilitar para dirigir.
Segundo as informações divulgadas, atualmente o custo médio para obter a CNH é de R$ 5 mil. Com a nova medida, esse valor poderia ser reduzido em até 80%, tornando o processo mais acessível para a população.
Preocupações com a segurança
A possível mudança tem gerado apreensão em diversos setores da sociedade. Estatísticas oficiais apontam que 90% das mortes e lesões graves em rodovias federais são causadas por falha humana, com cerca de 40 mil óbitos anuais relacionados a acidentes de trânsito no Brasil.
Paulo Guimarães, do Observatório Nacional de Segurança no Trânsito, manifestou preocupação com a proposta. Segundo ele, o Observatório dedicou mais de cinco anos à elaboração de um projeto para aprimorar a formação de condutores, que não avançou devido a pressões políticas e interesses mercadológicos.
Debate sobre modernização
Anteriormente, houve tentativas de modernizar o ensino da direção, como a implementação obrigatória de simuladores nas aulas. O equipamento permite que alunos pratiquem situações complexas, como direção noturna e sob chuva, em ambiente controlado. No entanto, após investimentos das escolas na aquisição dos aparelhos, a obrigatoriedade foi revogada.
Especialistas argumentam que, embora o sistema atual de ensino das autoescolas apresente deficiências e vulnerabilidades a fraudes, a solução não seria eliminá-las, mas sim aperfeiçoar o sistema através de um amplo debate com especialistas e entidades do setor.



