Boris Feldman
Blog
Boris Feldman

Jornalista especializado em automóveis desde 1966, produtor e apresentador do programa Autopapo

Etanol na gasolina: dá para aumentar ainda mais quantidade do composto?

Especialista analisa as consequências do aumento de 27% para 30% de etanol na gasolina e discute os riscos de elevar ainda mais esse percentual

Compartilhar matéria

O governo brasileiro anunciou recentemente o aumento da mistura de etanol na gasolina de 27% para 30%. Esta medida levanta questões sobre os impactos nos veículos e os limites dessa mistura para o futuro.

Para carros flex e veículos que utilizam gasolina premium, o aumento não deve causar problemas. No entanto, proprietários de motocicletas e carros nacionais a gasolina mais antigos devem ficar atentos, pois podem enfrentar dificuldades, especialmente na partida a frio.

Vantagens e desvantagens do etanol

O etanol é considerado um combustível mais limpo, com menor emissão de carbono em comparação à gasolina. Além disso, o cultivo da cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, ajuda a absorver CO2 da atmosfera. Por isso, o governo busca aumentar sua participação na mistura com a gasolina -- lembrando que não existe gasolina sem etanol.

Entretanto, existe um limite físico e químico para a quantidade de etanol que pode ser adicionada à gasolina sem comprometer o funcionamento dos motores. Esse limite é chamado de "relação estequiométrica", que determina a proporção ideal entre ar e combustível.

O futuro da mistura etanol-gasolina

Enquanto o governo planeja aumentar a mistura para 35%, conforme previsto na lei do combustível do futuro, especialistas e fabricantes de automóveis alertam que o limite seguro pode já ter sido atingido com os atuais 30%.

Aumentar a proporção de etanol além desse ponto pode ser considerado arriscado, potencialmente causando problemas em veículos não projetados para tal mistura. É fundamental encontrar um equilíbrio entre os benefícios ambientais do etanol e a segurança e eficiência dos motores dos veículos em circulação.