Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Cleitinho negocia com Flávio apoio à reeleição em 2030

Garantia pedida pelo governador eleito de Minas afastaria Nikolas Ferreira da disputa pelo governo do estado em 2030

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), colocou na mesa os dois principais pontos de negociação para mergulhar na campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL): a renegociação da dívida do estado e o apoio à sua reeleição em Minas Gerais em 2030, relataram à CNN Brasil interlocutores de ambos.

Em relação a 2030, Cleitinho deseja uma garantia de que Flávio apoie sua reeleição naquele ano, o que significaria que o deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) não seria candidato ao governo do estado.

A campanha de Flávio sinalizou positivamente em relação à renegociação da dívida, mas seus interlocutores dizem não ter como garantir 100% o apoio à reeleição.

A relação de Nikolas com a família Bolsonaro, especialmente com Eduardo Bolsonaro, é marcada por altos e baixos.

Na campanha deste ano, por exemplo, aliados do clã relataram que Nikolas demorou a entrar na campanha e ainda fez um movimento para lançar um candidato alinhado a ele ao Senado, Marco Antônio, do Novo, que acabou dividindo os votos da direita.

Ao final, foram eleitos Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT). Carlos Viana (PSD), próximo aos Bolsonaros, ficou de fora.

No segundo turno, porém, Nikolas lidera uma série de atos pró-Flávio chamados de “bloquinho do Nikolas”.

Sobre a dívida, Cleitinho quer a garantia de que o débito bilionário do estado com a União (R$ 180 bilhões) seja renegociado de modo que as parcelas pagas pelo estado sejam aplicadas em Minas Gerais.

Na conversa que tiveram na semana passada, Cleitinho solicitou a Flávio que parte do pagamento fosse revertida em investimentos em Minas.

Flávio lembrou, inclusive, que havia uma emenda à qual ele também havia dado voto favorável e que tratava do assunto, mas que foi vetada pelo presidente Lula. Flávio disse estar ciente e sensível ao problema e afirmou que ajudaria a buscar uma solução.