Lula do passado volta a São Bernardo para vender futuro a eleitor
Nostalgia estave presente em praticamente todos os elementos que compuseram o ato que marcou oficialmente a campanha do petista à reeleição
O presidente Lula e o PT voltaram neste domingo às origens, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, para vender futuro ao eleitor.
A nostalgia estava presente em praticamente todos os elementos, a começar pelo próprio estádio da Vila Euclides, onde o então líder sindical discursava para trabalhadores nos movimentos grevistas do final dos anos 1970. Imagens da época foram exibidas no telão diante da militância que encheu o estádio hoje.
O passado também esteve presente no resgate do jingle “Lula, lá”, tema da primeira campanha presidencial de Lula, em 1989; nas menções aos intelectuais que ajudaram a fundar o partido, como Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Candido e Marco Aurélio Garcia; e a lideranças sindicais que foram assassinadas, como Chico Mendes, Margarida Alves e Wilson Leite de Souza.
O presidente também citou muito a mãe, Lindu, a origem humilde e o período na prisão nos anos 1980.
Tudo isso para embasar o discurso do presente, fundamentado em vender futuro ao eleitor brasileiro.
É uma estratégia deliberada da campanha, segundo fontes do partido, que analisa a alta taxa de desaprovação do governo Lula 3 para evitar vender à população um “Brasil Grande”, distante da realidade das ruas. A pesquisa Quaest, divulgada na sexta-feira, apontou que 48% dos brasileiros desaprovam o governo, enquanto 46% aprovam.
Nesse sentido, a opção é mostrar que o país está em reconstrução após os anos governados pela direita e que há muito ainda a ser feito. Por isso, Lula mereceria um quarto mandato. É por isso que a palavra “futuro” talvez tenha sido a mais dita por Lula nos cerca de 40 minutos em que discursou.
“Eu fico pensando: essa gente [a direita] pensa no futuro? Muita gente fala: por que o Lula quer um novo mandato? Eu falo que, enquanto for vivo, não vou permitir a direita voltar”, disse Lula.
E vendeu futuro em áreas críticas, como educação e segurança pública, e na defesa de um plano para desenvolver uma cadeia produtiva de minerais críticos.
“Se for aprovada a PEC da Segurança Pública, vou criar o Ministério da Segurança Pública para dividir responsabilidade com estados e municípios. Vamos libertar o povo de todo mundo que acha que é dono de bairro pobre. Pensar no futuro desse país é a gente pensar em escola em tempo integral. Pensar em futuro é pensar em como vamos explorar a riqueza de minerais críticos e terras raras, que está no centro da disputa entre China e EUA”, disse.
Lula citou por vezes também o que considerou feitos de suas gestões petistas para exibir entregas já feitas à população, como a transposição do rio São Francisco, o programa Luz para Todos e a criação de dezenas de institutos federais de educação pelo país.
A campanha começa sob empate técnico no segundo turno entre Lula e seu principal adversário, Flavio Bolsonaro, o que já faz o PT, diferentemente de outros anos, evitar o salto alto.
É o contrário. O embate deste ano é considerado o mais duro e difícil da história de Lula. E a saída para ele é que o presidente, aos 80 anos, venda futuro a um eleitor desacreditado.



