Congressista dos EUA na COP: "Agenda de Trump não reflete opinião pública"
Único representante do país norte-americano na Cúpula disse à CNN que ausência de Donald Trump no evento não deve ser entendida como "falta de apoio dos americanos ao combate às mudanças climáticas"

O único integrante do Congresso dos Estados Unidos a pisar em Belém para a COP foi o senador democrata Sheldon Whitehouse, de Rhode Island.
Em conversa com a CNN, ele disse que a ausência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na conferência do clima não deve ser entendida como "falta de apoio dos americanos ao combate às mudanças climáticas"
“A estratégia e a posição do governo americano não são consistentes com o que o povo americano quer. Não está seguindo a opinião pública americana, que apoia fortemente a ação climática”, afirmou à CNN, após participar de um evento fechado promovido pelo The Dialogue, uma organização que trabalha o diálogo entre Brasil e Estados Unidos.
O plano inicial era que ele estivesse em Belém com outros 16 congressistas, mas eles acabaram ficando nos Estados Unidos após uma convocação para votar o acordo que colocou fim ao shutdown da administração americana. “Sou o único do Congresso. E do governo não tem uma alma aqui”, declarou.
Na sua avaliação, a China, que disputa a hegemonia mundial contra os Estados Unidos, ocupou um grande espaço na COP. “O mundo inteiro está presente na COP. Não posso pensar em nenhum país que não esteja aqui, a não ser nós (Estados Unidos). E se querem ter uma visão clara de como a China está trabalhando, vejam na COP: com uma grande e popular presença e um pavilhão central bem posicionado.”
O senador é o líder dos Democratas na Comissão de Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado dos EUA e entende que as posições negacionistas de Trump se referem ao fato de ele ter sido “basicamente comprado pela indústria de combustíveis fósseis e estar fazendo o que o setor quer”.
Ele defende que “o modelo de negócios dos combustíveis fósseis, que permite que eles poluam de graça, acabe” e que é preciso “resolver a questão climática do jeito certo, pois falar sobre ambição é bonito, mas não basta”.
“Não podemos vencer a batalha climática com bilhões de dólares de poluição gratuita causada pelo setor de combustíveis fósseis. Como qualquer empresa responsável, ela precisa se responsabilizar pela limpeza daquilo que produz”, afirmou.
Em sua primeira viagem ao Brasil, o senador falou sobre seu olhar a respeito do país: “Acho que pensamos no Brasil como um país lindo, rico em recursos naturais, com uma grande contribuição potencial para dar na conservação, na proteção, na segurança climática. É um país que lutou muito para preservar a sua democracia contra líderes autoritários — e conseguiu. Então, parabéns.”




