Lula deve se reunir com blocos de países para destravar reta final da COP30
Desembarque de Lula, nesta quarta-feira (19), coincidirá com "dia-chave" de negociações em Belém
O presidente Lula planeja se reunir nesta quarta-feira (19), em Belém, com alguns dos representantes dos principais blocos de países da COP30 com o objetivo de ajudar a destravar as negociações na reta final da conferência.
Estão no radar representantes de três dos mais influentes blocos: a União Europeia, o Grupo Africano e o Grupo Árabe.
Se essa agenda for definida, a ideia é que Lula trate com eles dos principais pontos de divergência para a elaboração final do texto da COP: recursos dos países ricos para financiar a transição energética dos países em desenvolvimento, fim de medidas unilaterais de comércio, metas de emissão de gases mais robustas e relatórios de transparência no processo para atingir essas metas.
Lula também deve tratar do Mapa para a transição dos combustíveis fósseis, prioridade em seu discurso durante a Cúpula dos Líderes em Belém e na sua fala durante a abertura da COP. A diplomacia brasileira considera que Lula é uma voz forte, especialmente com os países em desenvolvimento.
Assessores presidenciais relataram à CNN Brasil que ele não deve discursar, pois já falou duas vezes em Belém, uma na Cúpula dos Líderes e outra na abertura da COP. Sua presença tem por objetivo também, segundo essas fontes, mostrar engajamento e compromisso dele com o debate climático. Por isso, deve se reunir também com integrantes da sociedade civil.
O desembarque de Lula na quarta-feira coincidirá com um dia-chave na COP: é quando o presidente da conferência, embaixador André Corrêa do Lago, pretende levar à plenária o "Pacote de Belém". Trata-se do documento final para a apreciação das partes.
Em carta divulgada nesta terça-feira, o embaixador pediu às delegações que acelerassem as negociações para que amanhã já pudesse ser analisada a versão final do texto.
“Propomos concluir uma parte significativa do nosso trabalho até amanhã à noite (terça-feira), para que uma sessão plenária aprove o Pacote Político de Belém no meio da semana”, disse.
O termo "pacote" se refere diretamente à estratégia que a presidência brasileira armou desde o começo para a conferência: colocar todos os quatro itens mais sensíveis para serem negociados conjuntamente entre os países ricos e os países em desenvolvimento.
Dessa forma, abriram-se possibilidades para que haja mais termos para serem colocados na mesa para que os blocos de países possam fazer concessões e acatar demandas uns dos outros. O formato vem sendo elogiado por observadores ao longo da conferência.



