Advogado de Bolsonaro assume defesa de auditor preso no caso Ultrafarma
Servidor é acusado de conceder benefícios fiscais a empresas em troca de propinas
O advogado Paulo Cunha Bueno, que defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no julgamento da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal), assumiu a defesa do auditor fiscal da Receita de São Paulo Artur Gomes da Silva Neto.
O servidor é acusado de conceder benefícios fiscais a empresas como a Ultrafarma e a Fast Shop em troca de propinas e foi preso em uma operação do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) na Operação Ícaro deflagrada na terça-feira (12) pela manhã.
À CNN, Bueno declarou que assumiu o caso na quarta-feira (13) e que ainda leria os autos da investigação antes de tomar qualquer decisão.
"Eu não li os autos. Acabei de receber. Vou ler e entender", afirmou.
Questionado se seria um caso de colaboração premiada de seu cliente, ele respondeu: “É prematura qualquer avaliação sobre linhas de defesa, inclusive porque temos que entender qual o ponto controvertido que levou o MPSP a abrir essa investigação e formular pedidos de prisão. Nenhuma linha de defesa esta preliminarmente afastada", disse.
Como a CNN mostrou nesta terça-feira, o Ministério Público de São Paulo tem interesse em fazer uma colaboração premiada com o servidor.
Os promotores se reuniram na terça-feira à tarde com a defesa de Artur, mas não houve avanço justamente pelo fato de o servidor ter constituído um novo advogado para o caso. Antes disso, o advogado Fernando Capez se apresentou como defensor dele. A CNN apurou que ele deve ajudar Bueno no caso.
Os investigadores avaliam que, dada a magnitude do esquema, Artur não agiu sozinho e poderá entregar outros servidores, especialmente seus superiores hierárquicos. Ele também poderia relatar outras empresas envolvidas no esquema.
Na operação de terça-feira, além de Artur, foram presos Sidney Oliveira, proprietário da rede de farmácias Ultrafarma; e Mario Otávio Gomes, diretor da Fast Shop.
Segundo as apurações, o esquema teria rendido mais de R$ 1 bilhão em propina ao fiscal. A operação foi deflagrada pelo GEDEC (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos) e visa desarticular um grupo criminoso responsável por favorecer empresas do setor varejista.



