
Análise: Vacina anti-Master do governo esbarra em Vorcaro
A estratégia governista esbarra no que o próprio dono do Banco Master declarou de forma explícita: “tenho amigos em todos os Poderes”
O governo ensaia uma espécie de vacina anti-Master que, na prática, se resume a duas frentes: a primeira é acusar o que, nas palavras do PT, seria uma promiscuidade entre parte do mercado financeiro e o crime organizado. A segunda é atacar Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC (Banco Central) indicado por Jair Bolsonaro (PL).
Essa estratégia, no entanto, é frágil, já que ela ignora que a rede de proteção construída pelo Master em Brasília é suprapartidária e atravessa todo o espectro político, da direita à esquerda. Além disso, ignora fatos que já vieram a público.
Ignora que o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski manteve contrato com o Master, que um ex-ministro da Fazenda de governos petistas também teve vínculo contratual com o banco.
Ignora também que foi a partir da gestão do atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, que o ex-sócio do Master experimentou crescimento relevante, que Daniel Vorcaro esteve quatro vezes no Palácio do Planalto, uma delas em reunião reservada com o presidente Lula (PT).
Além disso, desconsidera que é justamente o partido do governo quem resiste a assinar, no congresso, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso.
Mais do que frágil, a estratégia governista esbarra no que o próprio dono do Banco Master declarou de forma explícita em vídeos revelados na última quinta-feira (29): “tenho amigos em todos os Poderes”. O Poder Executivo é um deles.



