Caso Master: veja íntegra de depoimento do diretor do BC

Ailton Aquino contradiz Vorcaro e afirma que Tirreno só tinha relação com o Banco Master

Poliana Santos, da CNN Brasil, São Paulo
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O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que, na análise da autarquia, não foi identificada movimentação financeira da Tirreno que justificasse a geração de R$ 6,2 bilhões pela empresa. A declaração contradiz o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que havia dito que o “extrato era verdadeiro”.

A fala foi feita durante o depoimento realizado no dia 30 de dezembro, cujo sigilo foi retirado na quinta-feira (29) por decisão do ministro Dias Toffoli. Veja a íntegra no vídeo acima. 

A delegada questionou Aquino sobre o relatório que apontava ausência de movimentação financeira, enquanto Vorcaro sustentava que o extrato era verdadeiro e o diretor do BRB havia classificado o documento como “meramente contábil”.

“Quando fizemos uma reunião com representantes da Carto e da Tirreno, na minha agenda pública, começamos a discutir. A Crato é pequena, a Tirreno é uma empresa desconhecida. Perguntei várias vezes: quanto você gerou de crédito? Ele dizia R$ 50, 30, 50 milhões. Depois de uma hora de inquisição, os valores foram subindo. Diretores da Carto diziam que nunca sequer tinham ouvido falar da Tirreno. Ao fim, André [Seixas Maia] responde: geramos 6,2 bilhões. Isso é impossível do ponto de vista técnico”, relatou Aquino.

O diretor ainda questionou onde estariam os depósitos financeiros, ressaltando que a empresa tinha relacionamento apenas com o Banco Master.

“Onde estão os Pix, os TEDs? O único relacionamento da Tirreno é com o Master, iniciado em 23/05/2025. Não foram identificados fluxos financeiros via TED, Pix ou câmbio. Porque a base de TED passa pelo BC. Todos os Pix passam pelo BC. Base de câmbio também. É uma questão fática. O único relacionamento da Tirreno no SFN é com o Master”, afirmou.