Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Campanha de Flávio teme retaliação de STF e PF até eleição

Leitura é de que uma ala da Corte pode tentar reverter prejuízos da crise do STF, afetando a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

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A campanha do candidato a presidente Flávio Bolsonaro teme que, até a eleição, haja algum tipo de retaliação de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) ou da PF (Polícia Federal).

A leitura é de que uma ala da Corte pode tentar reverter os prejuízos da crise do STF e, consequentemente, afetando a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão do ministro Flávio Dino de usar a relatoria que detém no inquérito que apura eventuais desvios de emendas para a produção do filme Dark Horse acendeu esse sinal na campanha, que já vinha alertando internamente sobre isso a partir da revelação, por André Mendonça, das conversas de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro.

A crise de Moraes, na prática, acompanhou um desgaste de Lula nas pesquisas e a consolidação de um empate técnico do petista com Flávio, que a campanha do senador teme que seja transformado em alguma ação policial contra ele.

Um interlocutor de Flávio relatou à CNN “não ter dúvida de que farão uma maldade” contra Flávio. Segundo ele, Lula e seus aliados no STF compreenderam que a reeleição do petista está cada vez mais distante e que deverá haver uma tentativa de “matar ou morrer” por parte deles.

O próprio Flávio vem dando esses sinais e criando uma vacina. No ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, ele sugeriu que estaria por vir uma terceira facada contra o bolsonarismo. A primeira foi contra seu pai na campanha de 2018, a segunda, a prisão dele em 2025, e a terceira seria contra ele próprio.

Alguns caminhos são apontados como possíveis para uma eventual ação.

O primeiro, por meio de uma decisão de Dino dentro do inquérito das emendas do Dark Horse, conforme ele deu hoje para restituir Andrei Rodrigues ao comando da PF. Na semana passada, como revelou a CNN, a defesa da produtora do filme apresentou 21 mil páginas de documentos sobre o filme, mas sem apresentar dados sobre os custos nos Estados Unidos, uma das principais linhas de apuração da PF. Os investigadores suspeitam que o dinheiro pedido por Flávio a Vorcaro possa ter bancado Eduardo Bolsonaro no país.

O segundo caminho seria por meio de alguma ação decorrente de investigações no Rio de Janeiro. É o caso da ADPF 635, que ficou conhecida como “ADPF das Favelas” e que questiona a violência policial em operações nas comunidades do Rio de Janeiro e busca estabelecer diretrizes para reduzir a letalidade policial. As apurações têm braços na política fluminense, com antigos aliados de Flávio no Rio, como o ex-governador Cláudio Castro e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar, que vem dando sinais de uma colaboração premiada que poderia atingir Flávio.