Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Conheça a estratégia vitoriosa da oposição para comandar a CPMI do INSS

Carlos Viana (Podemos-MG) derrotou Omar Aziz (PSD-AM) por 17 votos a 14 para comando da presidência

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A estratégia vitoriosa da oposição de desbancar os candidatos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além do Palácio do Planalto, foi definida apenas na noite anterior — cerca de 12 horas antes de a sessão começar.

Uma reunião no gabinete da liderança do PL na Câmara, comandada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), foi convocada para traçar a estratégia que, a princípio, visava apenas reduzir os danos da articulação que Alcolumbre e Motta já haviam firmado com o Planalto.

O acordo previa que o senador Omar Aziz (PSD-AM) presidisse a CPMI e o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) fosse seu relator.

Inicialmente, sugeriu-se que todos se retirassem da sessão em protesto contra o acordo prévio entre o governo, Motta e Alcolumbre.

Depois, avaliou-se a candidatura independente do senador Eduardo Girão (Novo-CE), considerada uma aventura.

O deputado Zé Trovão (PL-SC), então provocou Sóstenes, que é evangélico, dizendo que ele precisava provar que tinha fé de que seria possível virar o jogo.

Foi então que veio a decisão de pedir o mapeamento da CPMI.

Ao contar os votos, avaliou-se que, a depender de algumas articulações políticas, havia possibilidade de formar maioria.

A primeira tentativa foi convencer o senador Carlos Viana a se candidatar à presidência, o que, conjuntamente, atrairia os votos de partidos e parlamentares de centro.

Esse movimento foi liderado pelo senador Rogério Marinho.

Viana aceitou, mas decidiu-se manter a candidatura de Girão, para que governo, Alcolumbre e Motta acreditassem que ela era a candidatura oficial bolsonarista.

O acordo, no entanto, era que Girão a retiraria no último minuto para apoiar Viana. Marinho também contatou o senador Ciro Nogueira, que garantiu os votos da federação entre PP e União Brasil.

Parlamentares que participariam da sessão foram contatados por telefone e mobilizados para votarem contra a aliança do governo com Alcolumbre e Motta. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) teve papel relevante nesse processo.

O discurso utilizado foi o de que, se a operação não desse certo, o governo controlaria a CPMI e impediria que o escândalo de fraudes no INSS durante a atual gestão Lula fosse investigado — especialmente após uma série de decisões do ministro Dias Toffoli que acabaram travando a apuração.

As conversas se estenderam até por volta das 3h da madrugada e, antes mesmo do meio-dia da quarta-feira, o resultado foi proclamado.

Carlos Viana derrotou Omar Aziz por 17 votos a 14 e escolheu Alfredo Gaspar (União-AL) para ser o relator, no lugar de Ricardo Ayres (Republicanos-TO), que já vinha trabalhando nos bastidores nos últimos dias em seu plano de trabalho para a CPMI, dada a certeza com que o governo e a cúpula do Congresso apostavam em comandar o colegiado.

Gaspar foi escolhido a dedo pelo grupo na véspera. Ex-promotor de Justiça, foi secretário de Segurança Pública “linha-dura” de Alagoas e mudou de grupo político no estado após uma derrota nas eleições municipais de 2020.

De aliado do grupo dos Calheiros, próximos a Lula, tornou-se braço-direito do grupo de Arthur Lira, mais próximo da oposição. É considerado, em seu estado, bolsonarista e anti-Lula “da cabeça aos pés”, como relatou uma fonte à CNN. Tudo o que a oposição queria.