Forças Armadas tentam evitar contaminação da “diplomacia militar” com EUA
CNN apurou que comandante do Exército planejava ida aos EUA na próxima semana; assessoria do comandante, no entanto, informou que não está prevista a viagem

As Forças Armadas brasileiras tentam evitar que a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e CV como organizações terroristas afete a “diplomacia militar” entre as tropas dos dois países.
A CNN apurou que o comandante do Exército, general Tomás Paiva, planejava uma ida aos Estados Unidos na próxima semana para uma reunião bilateral com seu par no país, o chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos, general Christopher LaNeve. A assessoria de imprensa do comandante, no entanto, informou que não está prevista a viagem.
O encontro já estava previsto antes da decisão desta quinta-feira e tinha por objetivo aprofundar uma série de cooperações entre os dois exércitos que estão em andamento.
Segundo fontes do governo, esse encontro pode ganhar um novo contorno após o anúncio feito pelo governo Donald Trump. O motivo é que, com a decisão, os Estados Unidos passam a tratar os dois grupos como uma questão militar e de defesa, e não mais como um caso de polícia.
As primeiras avaliações das Forças Armadas brasileiras sobre o episódio são de que o anúncio não deve mudar a relação histórica entre militares brasileiros e americanos. E não há percepção de que haverá alguma ação militar americana no país a partir de agora, justamente devido à intensa diplomacia militar entre as duas partes.
Uma fonte inclusive relatou que o efeito pode ser até contrário, no sentido de haver uma ampliação da cooperação americana para o combate ao crime no Brasil.
A ideia, nesse sentido, é deixar qualquer manifestação oficial do governo para as áreas diretamente relacionadas à decisão, como Justiça e Relações Exteriores, e evitar entrar no assunto para que o tema não contamine a relação militar entre Brasil e Estados Unidos.



