Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Messias revê plano e aposta em Lula e “blitz” no Senado e STF

Agendamento de sabatina obrigou ministro a acelerar cronograma de périplo por vaga no Supremo

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O agendamento da sabatina no dia 10 de dezembro no Senado obrigou o advogado-geral da União, Jorge Messias, a rever o plano inicial de sua campanha com senadores, a fim de obter os votos necessários para sua aprovação como ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Até ontem, Messias planejava se encontrar pessoalmente com todos os 81 senadores e fazer encontros também com bancadas setoriais, como a feminina, e partidárias. Esse plano se baseava na expectativa de que a sabatina só ocorresse em 2026.

O anúncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de que ela ocorrerá em duas semanas obrigou Messias e seus aliados a reverem o plano.

O AGU agora vai correr contra o tempo para tentar, pelo menos, conversar com todos os 81 senadores, pessoalmente ou por telefone. Os encontros com as bancadas não devem mais ocorrer.

O ministro também prevê atuar intensamente nos dois finais de semana anteriores à sabatina e ter conversas reservadas com a imprensa para ampliar o alcance de sua mensagem.

Um dos principais objetivos é tentar reverter o entendimento de boa parte do Senado de que Messias irá atuar na mesma linha de outro indicado de Lula, Flávio Dino, que iniciou, desde sua posse no STF, uma cruzada contra emendas parlamentares.

A tarefa não será fácil. Messias, como mostrou a CNN Brasil, defendeu em sua tese de doutorado na UnB o ativismo judicial como “parte da institucionalidade brasileira” e o recurso ao STF como forma de garantir a execução de políticas públicas no governo Lula 3.

Outra mensagem é defender a prerrogativa constitucional do presidente da República de indicar ministros do STF.

O ministro conta nesse processo com a atuação pessoal do próprio presidente no convencimento dos senadores a garantir sua aprovação.

Há também o entendimento de que a prisão de Jair Bolsonaro (PL) dificulta o processo, porque o PL, principal partido de oposição, tem interesse em impor uma grande derrota ao governo após ver o ex-presidente preso, o que demanda a entrada de Lula com mais força.

A leitura de aliados de Messias é de que a soma da “blitz” no Senado e a participação direta de Lula com senadores tem potencial para reverter a tendência atual na Casa, de uma votação, hoje, imprevisível. A última vez que uma indicação foi rejeitada foi em 1894.

O trabalho também será feito junto ao STF, que defendia o nome de Pacheco. Aliados de Messias relatam que a declaração de apoio do decano Gilmar Mendes foi um ponto importante na tentativa de reverter o ambiente.

O decano anterior, Celso de Mello, também já manifestou apoio. A entrada em campo de André Mendonça, indicado por Bolsonaro, e de Cristiano Zanin, indicado por Lula, deve ajudar a consolidar pelo menos uma neutralidade na Corte que não atrapalhe Messias.

Na lista de quem planeja essas duas semanas, falta um investimento político maior junto a Alexandre de Moraes, que defendia Pacheco, e principalmente a Flávio Dino, visto hoje como o que tem maior resistência a Messias na Corte.