Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Vigilante de agência da Receita alvo do STF está com tornozeleira

Investigação aponta possível coordenação para acesso a dados fiscais de ministros do Supremo

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A Polícia Federal colocou tornozeleira eletrônica e realizou operação de busca e apreensão contra o vigilante do Centro de Atendimento ao Contribuinte da Receita Federal no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Foi nessa mesma agência em que trabalhava o servidor do Serpro (empresa estatal federal de processamento de dados) Luiz Antônio Martins Nunes, que é suspeito de vender informações sigilosas de ministros do Supremo Tribunal Federal e de seus familiares.

Em um primeiro momento, o relato feito à CNN foi de que o vigilante havia sido preso. Depois, a própria PF confirmou que ele foi alvo de uma medida cautelar e obrigado a colocar tornozeleira eletrônica. O vigilante foi alvo na quinta-feira dia 17, dois dias depois da operação principal

A tornozeleira eletrônica do vigilante fortalece a tese de que haveria uma coordenação para obtenção de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal e de seus familiares.

Essa linha é reforçada por outras duas informações passadas à CNN por fontes ligadas à investigação: a de que os acessos foram nos campos econômicos e fiscais, e não nos cadastrais; e a de que foi inserido o CPF de autoridades e familiares, minimizando o argumento de que poderia ter havido engano na busca pelos servidores.

A operação, ocorrida na semana passada, teve outros três alvos além de Nunes: Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes.

Todos foram alvos de medidas cautelares impostas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, o que gerou questionamentos.

O presidente do Unafisco, Kleber Cabral, fez críticas à operação, apontando ter havido desproporcionalidade, dado que a apuração da Receita contra os servidores ainda era preliminar. Diante de suas falas, Moraes o incluiu como investigado no inquérito das fake news.

O Sindifisco se posicionou contrário a divulgação dos alvos da PF no site do STF.

A CNN tenta contato com a defesa de Luiz Antônio Martins Nunes e do vigilante preso. O espaço segue aberto para manifestação.