Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Tarcísio à CNN após MP ser derrubada: "População não aguenta mais impostos"

Para governador de São Paulo, o "governo tem que ter Responsabilidade Fiscal"

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse à CNN Brasil na noite desta quarta-feira (8) que a população não aguenta mais aumento de impostos e que o governo Lula precisa ter responsabilidade fiscal.

"Não torço pelo pior melhor, mas a população não aguenta pagar mais impostos. O governo tem que ter Responsabilidade Fiscal", disse, ao ser questionado sobre suas movimentações ao longo desta quarta-feira para derrotar a medida provisória que taxa investimentos, numa derrota política para o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Tarcísio disse ainda considerar que "a pauta de aumento de tributo não tem aderência no Congresso".

"Veja que o Projeto do Imposto de Renda foi um acerto e foi unânime. Foi promessa dos dois candidatos que foram para o segundo turno em 2022. Não houve divergência. Mas já há um esgotamento para aumento de impostos", disse o governador à CNN Brasil.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), apontaram a articulação de Tarcísio contra a MP, de olho nas eleições de 2026.

Para Randolfe, a derrubada da MP é uma "antecipação" da disputa eleitoral. "Acho até bom isso vir a ocorrer, porque faz uma separação. Diz quem é quem. Diz quem quer antecipar o jogo eleitoral".

251 votos a favor

A Câmara aprovou nesta quarta um requerimento de retirada de pauta da MP 1.303, com alternativas ao aumento do IOF. Na prática, a ação impede a votação do texto, que precisaria ser apreciado pela Casa Baixa e pelo Senado até 23h59 para não perder a validade.

Foram 251 votos a favor da retirada de pauta, e 193 contrários.

O governo contava com os recursos da MP para fechar o orçamento de 2026. Originalmente, a expectativa era de arrecadar R$ 20,87 bilhões no ano que vem. Ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o texto poderia gerar uma arrecadação de "mais de R$ 17 bilhões", após mudanças no texto.

Mais cedo, Haddad afirmou que "voltaria à mesa" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso a MP fosse rejeitada, com novas opções. Segundo o ministro, o governo vai continuar perseguindo os mesmos objetivos, inclusive a meta fiscal - que, no ano que vem, é de um superávit primário de 0,25% do PIB.