Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Trump busca acordo sobre minerais críticos com Lula antes de 2027

EUA veem urgência no tema e temem que Brasil feche parcerias antes do fim do atual governo do petista

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O principal objetivo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo diplomatas brasileiros, é firmar um acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre minerais críticos.

A avaliação é de que o governo americano teme que o Brasil avance em negociações antes do fim do atual mandato, o que poderia dificultar ou até inviabilizar um acordo mais robusto a partir de 2027, caso haja mudança de governo no país.

O tema ganha relevância no momento em que o Congresso Nacional começa a discutir a regulamentação do setor. O relator do projeto, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), prevê apresentar seu parecer ainda nesta semana.

De acordo com diplomatas, minerais críticos são hoje o principal ponto de interesse da Casa Branca na relação com o Brasil. A questão também estará na pauta da reunião bilateral entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, marcada para os dias 14 e 15 de maio.

Apesar disso, o governo Lula tem sinalizado resistência a um acordo amplo com os Estados Unidos nessa área. Entre os indicativos estão a não adesão a iniciativas americanas, críticas a acordos regionais — como o firmado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado — e posicionamentos contrários à venda de ativos estratégicos para empresas estrangeiras.

Esses movimentos se somam a outros episódios recentes que contribuíram para o aumento das tensões entre os dois países. Entre eles, a divergência na Organização Mundial do Comércio sobre a moratória de taxação do comércio eletrônico e o caso envolvendo a expulsão de um delegado da Polícia Federal acusado de atuar irregularmente.

Do lado americano, o avanço de investigações com base na Seção 301, que apura práticas comerciais consideradas desleais, eleva o risco de retomada de tarifas sobre produtos brasileiros.