Clarissa Oliveira
Blog
Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Campanha de Lula teme interferência de última hora de Trump na eleição

Equipe petista enxerga em vantagem nas urnas no 1º turno oportunidade de desmobilizar ação dos EUA

Compartilhar matéria

A reportagem do jornal britânico The Guardian que aponta o suposto financiamento pelos Estados Unidos de ações contra o STF (Supremo Tribunal Federal) exacerbou nos bastidores do governo Lula um sentimento que já vinha tomando forma nas últimas semanas. Interlocutores do presidente dizem enxergar um número crescente de medidas veladas da gestão de Donald Trump para influenciar a eleição e temem uma ação mais incisiva de última hora, às vésperas do segundo turno.

O sinal de alerta tem a ver ao menos em parte com o cenário traçado nas pesquisas de intenção de voto, em que Lula aparece muitas vezes tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro.

Existe na campanha de Lula uma preocupação crescente em ingressar na segunda etapa de votação com uma vantagem significativa nas urnas e também nos levantamentos de intenção de voto. Seria uma forma de desmotivar o governo Trump a se mobilizar em apoio à direita, com base na aposta de que as chances de vitória de Lula seriam superiores.

Integrantes da campanha traçam em conversas reservadas o seguinte cenário: o ideal seria Lula entrar no segundo turno já com entre 5 e 7 pontos de frente em relação a Flávio no total de votos contabilizados nas urnas.

Às vésperas da ida às urnas, a equipe petista já trabalha intensamente as medidas a serem tomadas nos dias que sucedem o primeiro turno. Como a CNN Brasil revelou ontem, uma aposta é a aprovação do fim da escala 6x1 entre a primeira e a segunda etapa de votação.

Segundo fontes ligadas à campanha, já teria sido dado um sinal positivo da parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de que a proposta pode ser colocada em votação.

Nesta semana, o The Guardian publicou uma reportagem em que aponta que o governo Trump teria destinado US$ 1 milhão ao grupo Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil, que financia grupos da sociedade brasileira que se opõem a medidas do Supremo Tribunal Federal.

Ontem, o governo federal decidiu acionar a PF (Polícia Federal) e o MPF (Ministério Público Federal), pedindo que sejam investigadas medidas de suposta interferência americana.

O pedido, apresentado pela AGU (Advocacia-Geral da União), a reportagem mostra “um possível direcionamento de verbas públicas do governo dos Estados Unidos para o financiamento de redes e organizações atuantes no território brasileiro com a finalidade de interferir no debate político e institucional e deslegitimar o Supremo Tribunal Federal (STF)”.