Clarissa Oliveira
Blog
Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Lula alinha acordo para votar fim da escala 6x1 entre 1º e 2º turno

Plano é destravar proposta para ampliar competitividade diante da disputa apertada com Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) engatilhou um acordo para destravar a aprovação do fim da escala 6x1 logo após o primeiro turno das eleições. Fontes diretamente envolvidas nas negociações disseram à CNN que, após semanas de conversas nos bastidores, o governo teve nos últimos dias uma sinalização positiva da cúpula do Senado, indicando que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, deverá de fato colocar o texto em votação.

Se tudo correr como esperado, o acordo pode garantir a Lula uma das principais bandeiras desejadas por ele para a eleição deste ano.

As conversas não descartam que a sessão do Senado ocorra já na semana que vem. Mas ainda não há martelo batido sobre a data.

A CNN procurou Alcolumbre e aguarda retorno.

Publicamente, Lula tem afirmado que espera ver aprovado o fim da escala 6x1 até o fim do ano. O governo tentou fazer a medida avançar ainda no esforço concentrado para a primeira etapa de votação, mas o texto ficou travado no Senado, após ser aprovado na Câmara dos Deputados.

A votação entre os dois turnos da eleição mudaria o jogo para o petista. A avaliação, de acordo com um integrante da campanha, é que o fim da escala 6x1 pode ser uma peça-chave para aumentar a competitividade de Lula, dada a disputa apertada com o senador Flávio Bolsonaro. Isso porque o avanço do senador levou o governo a gastar algumas “balas de prata”, como, por exemplo, o anúncio do aumento no Bolsa Família e o fim das bets.

O fim da escala 6x1 era uma das principais pendências no pacote eleitoral de Lula. Originalmente, o projeto nem sequer estava no radar do governo. Mas, diante da crise de popularidade enfrentada por Lula no primeiro semestre, acabou prevalecendo a ideia de abraçar a redução da jornada e incorporá-la ao programa de governo de um eventual quarto mandato.