Haddad tem cenário difícil em SP, mas atende ao anseio de Lula
Mesmo com largada pouco promissora no Estado, ministro é uma aposta para amarrar palanque presidencial no Estado
As mais recentes pesquisas de intenção de voto estampam explicitamente o motivo de tanta resistência de Fernando Haddad (PT) em disputar o governo de São Paulo.
Não bastasse o amplo favoritismo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para se reeleger no comando do Palácio dos Bandeirantes, fica impressa no ministro da Fazenda a elevada rejeição ao seu nome no maior colégio eleitoral do País.
Segundo a pesquisa Datafolha, Tarcísio lidera isolado em todos os cenários. Haddad é seu adversário mais forte entre os nomes apresentados, alcançando um placar de 44% a 28% a favor do governador, em uma simulação de primeiro turno.
Em uma eventual segunda etapa de votação, Tarcísio levaria com 52% e Haddad ficaria com 37%. Na Real Time Big Data Tarcísio larga com 47% e Haddad 31% no primeiro turno. Num eventual segundo turno, o placar é de 50% a 37% a favor do governador.
Quanto à rejeição, a Datafolha mostra que Haddad é o mais rejeitado entre os nomes apresentados: 38% rechaçam o potencial candidato do PT, contra 24% do atual governador. Na Real Time Big Data, quadro semelhante, com 35% de rejeição para o petista.
Não é um cenário animador para Haddad, que até agora não confirmou publicamente sua entrada na disputa, mas já tem o nome dado como certo dentro do PT. Mas, para a missão que lhe foi delegada pelo presidente Lula, o resultado não é ruim.
O risco grande de uma derrota sempre permeou as conversas reservadas do ministro a respeito da corrida eleitoral deste ano. O pedido para que Haddad seja o candidato, contra toda a resistência demonstrada publicamente, tem um objetivo claro: criar um palanque forte para o próprio Lula no maior colégio eleitoral do País.
Para esse propósito, a pesquisa mostra números interessantes para o PT. Mesmo com alta rejeição, Haddad parte do patamar histórico de votação do PT no Estado, na faixa de 30% das intenções de voto.
Haddad também tem o melhor desempenho entre os possíveis candidatos avaliados, confirmando se tratar da escolha mais promissora do ponto de vista da corrida presidencial.
Se depender das previsões nos bastidores, Haddad terá a ajuda do hoje vice-presidente Geraldo Alckmin para percorrer o interior paulista, o que, na visão de petistas, pode ajudar a aliviar a rejeição.
A isso, se somam os nomes ventilados para compor a chapa – alternativas como Simone Tebet, hoje no MDB, e Marina Silva, hoje na Rede, são avaliadas para o Senado. Márcio França também aparece na lista de cotados para a chapa, podendo inclusive ocupar a posição de vice.



