Análise: Após paz com Alcolumbre, fim da escala 6x1 avança
A analista de Política da CNN Clarissa Oliveira avalia que avanço ainda é mais simbólico que prático e que tramitação no Senado não será fácil
A reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Republicanos), deu novo fôlego à PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. A apuração é da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira ao Bastidores CNN.
Segundo Clarissa, o movimento representa um primeiro passo importante, embora ainda mais simbólico do que prático.
A discussão sobre o tema estava completamente paralisada antes da reconciliação entre os dois. Apesar do desbloqueio político, Alcolumbre ainda não enviou formalmente as propostas, e a tramitação efetiva da matéria ainda precisa ser iniciada.
Tramitação no Senado deve enfrentar resistências
Clarissa Oliveira destacou que, mesmo com a boa vontade de Alcolumbre, a aprovação da PEC não será simples. "A gente viu um embate bastante pesado na Câmara dos Deputados, com muita influência e articulação dos setores que são envolvidos", afirmou a analista.
Esses segmentos da economia atuaram junto aos parlamentares com o objetivo de retirar o fator eleitoral da discussão.
Segundo a analista, é possível que os mesmos setores que resistiram à mudança na Câmara repitam a estratégia no Senado, pressionando parlamentares para adiar a votação.
"É necessário que seja feito um acordo muito bem engatilhado para que isso seja, de fato, concretizado", avaliou Clarissa Oliveira.
Interesse eleitoral de Lula na pauta
A analista também ressaltou que Lula deseja usar o fim da escala 6x1 como bandeira em sua campanha eleitoral.
O cenário ideal para o governo seria a aprovação da medida ainda em setembro, antes do primeiro turno das eleições. Caso contrário, a proposta pode acabar no campo das promessas.
Clarissa Oliveira lembrou ainda que Lula era, na prática, contrário à mudança inicialmente, e que o governo só abraçou a agenda diante do potencial eleitoral do tema e da repercussão pública gerada pela articulação de parlamentares, como a deputada Erika Hilton.
"Ou aprova rápido e Lula consegue colher os frutos disso para a eleição, ou então passa a ser interessante para o governo nem sequer gastar tanto cartucho", concluiu a analista.


