Lula aproveita desgaste de Trump e se prepara para eleição, dizem aliados
Segundo pessoas próximas, petista se antecipa à interferência americana na disputa presidencial

Ao embarcar em confronto aberto com Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se antecipa ao risco de uma interferência americana nas eleições deste ano e procura aproveitar o desgaste político enfrentado pelo colega por conta da guerra no Irã. A avaliação é feita nos bastidores por aliados próximos do Lula, que enxergam no movimento do presidente brasileiro uma espécie de “vacina” para a disputa nas urnas em outubro.
Embora tenha se acirrado diante da polêmica envolvendo o agente da PF (Polícia Federal) que atuou no caso do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, a tensão entre Lula e Trump teve início dias antes, com uma sucessão de discursos críticos do petista ao colega americano durante viagem oficial à Europa.
Segundo fontes próximas a Lula, o plano do petista é “tirar uma lasca” do desgaste sofrido por Trump por conta da guerra no Oriente Médio. O movimento do presidente brasileiro, segundo esses mesmos aliados, viabiliza uma aproximação do petista com governos europeus, fortemente impactados pela variação do petróleo no mercado internacional.
Ao reverberar críticas a Trump durante a viagem oficial, Lula, na visão de sua equipe, pavimenta o terreno para garantir o apoio de chefes de Estado europeus mais adiante, caso o americano tente interferir na eleição brasileira em favor do rival Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo fontes, a decisão do governo Trump de determinar que o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo deixasse o país, sob alegação de que teria tentado manipular o sistema de imigração americano, é mais um exemplo do que pode vir pela frente no período eleitoral.
No Palácio do Planalto, o caso acaba trazendo de volta ao debate político o tema da defesa da soberania nacional. O embate com Trump por conta do tarifaço imposto pelos Estados Unidos contribuiu à época para dar um respiro para Lula, diante da crise de popularidade vivida pelo presidente.
Lula e Trump chegaram a protagonizar alguns meses de lua-de-mel, inclusive com a promessa de um encontro presencial na Casa Branca. Mas as conversas foram para a gaveta desde a eclosão do conflito no Oriente Médio.
Na visão de aliados, Lula tende a ver poucos frutos da “química” com Trump. Portanto, afirmam, vale mais o presidente buscar desde já apoio de outras nações frente ao governo americano.
O atual cenário, reforçam esses interlocutores, também permite a Lula retomar o tema da defesa da soberania nacional, que lá atrás já contribuiu para melhorar o desempenho do presidente junto à opinião pública.



