Os arrependimentos de Boulos e Nunes diante do fator Marçal
Estrategistas do PSOL e MDB avaliam que campanhas podem ter demorado a reagir contra candidato do PRTB

As últimas semanas foram longas para as campanhas de Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL). Mesmo sabendo que o jogo seria difícil, nenhum dos dois imaginava que Pablo Marçal (PRTB) chegaria ao dia da eleição em pé de igualdade com duas campanhas que se lançaram com a promessa de reproduzir na capital a polarização da última corrida presidencial.
O fator Marçal impediu que Nunes e Boulos protagonizassem uma espécie de terceiro turno entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E o fez tumultuando a corrida na maior cidade do País, com ataques a adversários, agressões que desembocaram em violência física e disseminação de notícias falsas.
Embora tenham aprendido rapidamente a não menosprezar o poder de fogo do ex-coach, as campanhas de Nunes e Boulos amargam alguns arrependimentos, segundo estrategistas das campanhas de ambos.
No caso de Nunes, houve um momento em que o time de Nunes propôs uma ofensiva jurídica contra Marçal, utilizando todas as armas possíveis para tirá-lo de cena ou, ao menos, reduzir o poder de alcance do influenciador. Já falavam semanas atrás em pedir a cassação do registro de candidatura e, quem sabe, remover Marçal da disputa.
Foi o próprio Nunes quem freou o movimento. Segundo relato de pessoas que participaram ativamente das discussões, o prefeito argumentava que seria ir contra princípios da democracia impedir o rival de concorrer.
Da mesma forma, parte dos aliados de Boulos avaliam que o candidato do PSOL demorou a corrigir a rota em relação a Marçal. Foi somente no último debate do primeiro turno, na TV Globo, que Boulos decidiu ir para o confronto com Marçal. Até então, o candidato do PSOL manteve o discurso paz e amor. Ele até se defendia de forma aguerrida das acusações feitas pelo ex-coach, mas evitava ir para embate direto.
Horas antes da ida às urnas, aliados de Boulos não disfarçavam nos bastidores uma certa insatisfação com o caminho escolhido. Principalmente depois do último golpe dado por Marçal no deputado do PSOL, com a divulgação do suposto laudo que apontava uma internação de Boulos por uso de cocaína, um documento com evidentes sinais de falsificação.
O que fica evidente nos bastidores das campanhas de Nunes e Boulos é que um segundo turno promete vir com tom mais duro. Principalmente, se Marçal conseguir se cacifar para uma das duas vagas na segunda etapa de votação. Caso isso ocorra, os dois adversários do influenciador não devem hesitar em ir para o confronto.



