Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Para sair da crise, Flavio retoma aposta no bolsonarismo raiz

Objetivo é estancar movimento de forças de centro e reter os votos da base histórica do bolsonarismo

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Empenhado em estancar a crise provocada pelo caso Dark Horse, o senador Flávio Bolsonaro (PL) decidiu recuar de seus planos de moderar o discurso e voltou acenar na direção do bolsonarismo raiz.

O senador, segundo pessoas próximas, escolheu a visita desta semana aos Estados Unidos e o encontro com Donald Trump como palco desse movimento, na esperança reforçar a polarização com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Um dos maiores sinais da guinada de Flávio à direita veio no discurso a respeito da segurança pública.

Semanas atrás, como revelou a CNN, Flávio havia sido expressamente aconselhado a deixar de lado o discurso sobre classificar facções criminosas como terroristas.

A avaliação da campanha era que o tema dificultava o aceno do senador ao eleitor de centro.

Flávio, segundo aliados, age com o objetivo de enfraquecer eventuais movimentos de outras forças da direita e de centro, que tomaram corpo desde as primeiras revelações do The Intercept.

A tese é que um confronto mais acirrado entre o senador e o presidente Lula pode ajudar a restabelecer a dinâmica do “nós contra eles”, reduzindo o espaço no debate político para uma terceira via.

Na esteira do desgaste provocado pelo vínculo do senador com Daniel Vorcaro, o pré-candidato do PL assistiu a um distanciamento de partidos do centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, que se mostraram mais propensos a adotar a neutralidade na corrida presidencial.

Houve também uma movimentação expressiva no campo da direita, que avalia se reorganizar diante das denúncias.

Como exemplos dessa tendência, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) passaram a discutir uma união de candidaturas.

O PSDB também passou a ventilar uma possível entrada de Aécio Neves a disputa. Embora as pesquisas ainda demonstrem um quadro polarizado entre Lula e Flávio, a tese é que essas candidaturas poderiam abocanhar votos estratégicos para definir o resultado das urnas.