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    Clarissa Oliveira

    Clarissa Oliveira

    Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações, como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

    Análise: Irritado com 1º de Maio, Lula dá sinais de descompasso com sua base

    Mesmo após virar a noite, presidente não disfarçava a irritação com o ato político convocado pelas centrais sindicais

    Análise: Irritado com 1º de Maio, Lula dá sinais de descompasso com sua base
    Análise: Irritado com 1º de Maio, Lula dá sinais de descompasso com sua base

    Quase 17 horas depois de discursar no palco do 1º de Maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não conseguia disfarçar na manhã de quinta-feira a irritação com a melancolia do ato promovido no dia anterior pelas centrais sindicais.

    Na manhã de ontem, quando já estava no avião presidencial rumo ao Rio Grande do Sul, Lula desabafou com os ministros que o acompanhavam na viagem.

    Quem conversou com o presidente resume o sentimento: era para ter sido como nos velhos tempos. Era para ter mais gente. Faltaram muitos parlamentares. Faltou entusiasmo da militância.

    Mas o que os auxiliares de Lula fizeram questão de lembrar é que os tempos são outros. Tudo era diferente no 1º de Maio de antigamente. Tinha show de dupla sertaneja. Tinha sorteio de prêmio. Até carro dava para ganhar.

    Um ministro que esteve com Lula descreveu o presidente como “visivelmente irritado”. Para esse auxiliar, não poderia ser diferente.

    O próprio ministro contou ter dito a Lula que considera o 1º de maio das centrais “uma agenda antiga, obsoleta”. E até brincou, dizendo que um show do Gusttavo Lima certamente levaria uma multidão ao Itaquerão.

    Mas a percepção de que o figurino não serve mais permeou outros pontos do evento. Do boné da CUT na cabeça de Geraldo Alckmin ao pedido de Lula por votos em favor de Guilherme Boulos, tudo ali parecia desconjuntado. Integrantes da campanha de Boulos falaram imediatamente em “risco calculado”, como mostrou o blog logo após o evento.

    Mas, passadas algumas horas, até aliados de primeira hora do presidente colocam em dúvida até que ponto os frutos desse movimento valem o desgaste político.

    Nos dias que antecederam o ato da última quarta-feira, o blog conversava com um petista que milita há décadas ao lado do presidente. Os assuntos eram diferentes.

    Mais precisamente, a conversa versava sobre as tensões com o MST, outro movimento que faz parte da base histórica de Lula e que vem se estranhando com o governo.

    Mas as declarações desse amigo do presidente encaixam perfeitamente numa análise sobre o 1º de maio.

    Para essa fonte, o governo não tem um problema de comunicação, mas sim de coordenação e de organização. E Lula, prosseguiu o amigo de longa data, teima em não mexer no governo.

    Ele lembra que, nos primeiros mandatos, a primeira reforma ministerial já tinha acontecido a essa altura do campeonato. E avalia que, dificilmente, o presidente conseguirá manter a atual configuração da Esplanada por muito mais tempo.