Ato de 8/1 evidencia um Lula em modo eleitoral
Evento marca virada de chave, voltando os olhares para as urnas em outubro

Base mobilizada, ministros convocados, telão na Esplanada dos Ministérios, descida da rampa do Palácio do Planalto para cumprimentar a militância.
Tudo no ato convocado desta quinta-feira (8), em memória aos ataques às sedes dos Três Poderes, foi pensado para virar a chave e dar lugar a um Lula em modo eleitoral.
O petista conhece esse script como ninguém. Cada passo, daqui para frente, é fruto de uma estratégia cuidadosa para colher os frutos nas urnas em outubro. E muito do que se viu no ato de hoje é exemplo desse novo modo de operar.
Lula abriu sua fala acenando aos “esquecidos”, aos “mais pobres”, aos indígenas. Defendeu a democracia, falou das conquistas do governo e reservou protagonismo para o veto ao projeto da redução de penas aos envolvidos nos ataques de 2023 e na trama do golpe.
Lula optou pelo veto integral, sabendo muito bem que a oposição vai se juntar a parte do Centrão para derrubar a decisão.
Nos dias que antecederam o ato de hoje, o próprio Palácio do Planalto agiu para alimentar o suspense sobre o veto. É uma receita clássica para aumentar o interesse no assunto.
Horas antes, ninguém confirmava se Lula vetaria o PL da Dosimetria no próprio ato no Planalto. Ou se o veto seria parcial ou total.
O motivo de tal suspense seria um suposto melindre do Congresso. Um esforço para não gerar atrito com Hugo Motta (Republicanos) e Davi Alcolumbre (União Brasil). Mas, nos bastidores, interlocutores de ambos os chefes do Legislativo deixavam claro que não havia melindre nenhum. Que o governo já havia sido avisado há tempos que nenhum dos dois participaria do ato em Brasília e que o veto estava mais do que contabilizado. Afinal, o próprio Lula já havia declarado publicamente a intenção.
Mas, aos olhos do eleitor, Lula sai do evento de hoje como o defensor da democracia, disposto a enfrentar as forças políticas que tentam deixar impunes os envolvidos na trama do golpe. É um aceno claro ao seu eleitorado mais caro.



