Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Lula "foi para cima" de Haddad por candidatura em SP, dizem fontes

Presidente e ministro tiveram almoço de 3h; palanque forte no maior colégio eleitoral do País é foco

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi para o almoço que teve ontem com Fernando Haddad (PT) decidido a “ir para cima” do ministro da Fazenda e convencer o auxiliar a disputar o governo de São Paulo, segundo um interlocutor próximo do presidente. Ontem, a CNN revelou que Lula e Haddad se sentaram à mesa, em um almoço de mais de três horas, para discutir a eleição no maior colégio eleitoral do país.

Apesar da longa conversa, os dois saíram do encontro sem um martelo batido sobre a possibilidade de o ministro se lançar para o Palácio dos Bandeirantes. Mas a decisão final, avaliam líderes petistas, não deve tardar a sair. Somente os dois participaram da conversa e mantiveram a discrição total sobre o que foi tratado no encontro. 

A questão central é que Lula precisa de um palanque forte no maior colégio eleitoral do país. Mas, ainda segundo pessoas próximas a ambos, pesa a forte possibilidade de uma derrota. Pelo cenário atual, Tarcísio de Freitas (Republicanos) segue no páreo para a reeleição, favorito nas pesquisas de intenção de voto. Mesmo que o governador decida concorrer à Presidência, o PT tem um histórico de grande dificuldade nas eleições em São Paulo.

Aliados próximos de Haddad apontam como pano de fundo a corrida presidencial de 2030. Duas pessoas ligadas ao ministro avaliaram que a entrada dele na disputa em São Paulo deveria vir acompanhada de uma sinalização mais clara de que ele estaria posicionado como provável sucessor de Lula, caso saia de fato derrotado da corrida eleitoral em São Paulo. 

Uma possibilidade ventilada nos bastidores é que, se Lula se reeleger, o ministro retorne à Esplanada, desta vez no cargo de chefe da Casa Civil. Na condição de homem forte de um eventual quarto governo de Lula, Haddad ficaria, então, naturalmente posicionado como provável sucessor em 2030.