Para aliados de Lula, "confiança" é fator crucial em indicação no STF
Messias tem apoio de setores próximos a Lula, Pacheco também está entre os cotados, mas pressão por mulher ou pessoa negra aumenta
Se depender do clima nos bastidores do governo federal, é reduzida a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atender aos anseios pela indicação de uma mulher ou de uma pessoa negra no Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre interlocutores do presidente, a tese é que a “confiança” será o fator determinante para a indicação de um substituto para Luís Roberto Barroso.
Espera-se que a indicação seja rápida. Há quem fale em uma definição até a semana que vem, quem sabe até mesmo antes do fim desta semana. E o favorito, até o momento, segue sendo o atual advogado-geral da União, Jorge Messias.
Embora o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco também apareça com força entre os cotados, a bolsa de apostas, nesse caso, vai na direção de uma candidatura ao governo de Minas Gerais com apoio de Lula.
A rapidez na definição tem motivo, segundo aliados do presidente. A ideia é evitar justamente que ganhe força a pressão - inclusive na base de apoio a Lula – pela indicação de uma mulher ou de uma pessoa negra para a vaga.
Há sim alternativas circulando nos bastidores, mas que custam a empolgar a ala mais próxima ao presidente na magistratura. Há, por exemplo, menções ao nome de Manuellita Hermes, procuradora federal que é mulher e negra. Ou ainda Daniela Teixeira, que já foi contemplada recentemente com a indicação ao Superior Tribunal de Justiça. Além de Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar, a lista contempla ainda a também ministra do STJ Regina Helena Costa.
Há no entorno de Lula quem ainda mantenha uma pequena janela aberta para uma surpresa na escolha para a vaga do STF, talvez como um aceno guiado pela aproximação das eleições do ano que vem. Mas, em geral, essa ideia vem acompanhada da premissa de que esta não é a prioridade neste momento.
Um argumento é que Lula estaria tranquilo quanto à repercussão da escolha. A aposta é que ele não irá enfrentar uma reação intensa na magistratura se optar por um homem mais uma vez, já que indicou diversas mulheres para outras posições em Cortes superiores desde o início do mandato.



