Coligação de Paes pede busca em gráfica por panfletos com números 13 e 22
Petição cita materiais que associariam Eduardo Paes a números do PT e PL

A coligação “Juntos para Mudar, Coragem para Reconstruir”, que apoia Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, acionou a Justiça Eleitoral nesta terça-feira (6) para denunciar a produção e a distribuição de materiais gráficos que, segundo a representação, associariam o candidato aos números 13, do PT (Partido dos Trabalhadores), de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, e 22, do PL (Partido Liberal), de Douglas Ruas, adversário de Paes na corrida ao Palácio Guanabara.
A petição foi apresentada à 188ª Zona Eleitoral e cita o candidato Douglas Ruas e a EDG Editora Gráfica Ltda., sediada em Niterói, na região metropolitana do Rio. A coligação pede busca e apreensão na sede da empresa, além de perícia em equipamentos digitais que, segundo a representação, teriam sido utilizados na produção dos materiais.
De acordo com a coligação, materiais impressos passaram a circular com associações entre o nome de Eduardo Paes e números que não correspondem à candidatura dele. Paes concorreu ao governo do estado pelo PSD com o número 55.
Um dos panfletos descritos na petição traz, de um lado, a associação “Eduardo Paes governador e Lula presidente”, seguida da indicação “Lula é 13”. Do outro, aparece “Douglas Ruas governador e Flávio Bolsonaro presidente”, acompanhada da inscrição “Bolsonaro é 22”.
A representação também cita santinhos nos quais a foto e o nome de Eduardo Paes aparecem associados ao número 22, que corresponde à candidatura de Douglas Ruas. Segundo o documento, materiais desse tipo teriam sido encontrados em vias públicas e nas proximidades de locais de votação.
A coligação relaciona ainda os materiais a um levantamento baseado nos RDVs (Registros Digitais de Voto) das urnas eletrônicas. Segundo os dados citados na petição, 204.309 eleitores teriam digitado o número 13 para governador no primeiro turno e tido o voto registrado como nulo. O documento afirma que o número correspondeu a cerca de 30% dos votos nulos registrados em combinações numéricas específicas.
A petição afirma que um dos materiais questionados teria tido tiragem declarada de 100 mil unidades e sido produzido pela EDG Editora Gráfica Ltda., com identificação formal de responsabilidade da Coligação Rio Real e do candidato Douglas Ruas.
Segundo a coligação, o objetivo da medida é permitir uma perícia digital para identificar arquivos, ordens de serviço, históricos de produção, responsáveis pela aprovação das artes, contratantes e registros de distribuição dos materiais.
A representação também pede que a Justiça proíba a produção, reprodução, distribuição e divulgação dos materiais questionados, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A coligação solicita ainda o envio do caso ao Ministério Público Eleitoral para apuração de possíveis crimes eleitorais.
A CNN Brasil procurou a campanha de Douglas Ruas para saber sua posição sobre as acusações apresentadas pela coligação de Eduardo Paes e os pedidos de busca e apreensão formulados à Justiça Eleitoral.
A reportagem também tenta contato com a EDG Editora Gráfica Ltda., citada no processo como responsável pela produção de parte dos materiais questionados.



