Débora Bergamasco
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Débora Bergamasco

Débora Bergamasco é jornalista, com passagem pelas redações de Estadão, Folha, O Globo, Época, IstoÉ e SBT

Aliados querem Lula conduzindo proposta de anistia “light”

Objetivo é dissipar pressão por avanço de projeto mais amplo

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Aliados de alta patente do governo federal iniciaram um diálogo, ainda discreto, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar convencê-lo a se engajar em algum tipo de anistia "light" para os condenados pelos atos criminosos de 8 de janeiro de 2023. Esse movimento não contemplaria perdão à cúpula do plano de golpe, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e três meses.

Apesar de parecer um contrassenso, já que Lula é publicamente um crítico ferrenho sobre anistiar envolvidos na tentativa de derrubar a democracia, a avaliação de defensores desta tese é a de um gesto como este poderia significar uma medida de contenção de danos, um caminho para pacificação e ainda um gesto de "magnanimidade", segundo apurou a CNN.

Ainda não se sabe como poderia ser a participação de Lula nesta empreitada: se um indulto do presidente da República; um apoio público de Lula a trechos do projeto do Congresso por anistia ou por redução das penas; ou ainda alguma outra formatação a ser discutida.

Mas de uma coisa se tem clareza: é de que qualquer movimento nesse sentido deve, obrigatoriamente, ser uma construção elaborada conjuntamente com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Há duas preocupações iminentes: a de que o presidente Lula, em nenhum momento, transmita fraqueza, pusilanimidade, mas estatura e grandeza, conforme relatou uma fonte governista de alto escalão.

A outra é de gerar um movimento que possa de alguma maneira enfraquecer o STF - decisivo nesse enfrentamento. O Supremo, dizem aliados, não pode se sentir usado, como tendo sido útil na hora da disputa da narrativa, mas descartável no instante em que Lula aparece como o pacificador.

Caso essa ideia de alívio para os condenados no 8 de janeiro avance, a saída seria mostrar que essas centenas de pessoas foram, na verdade, manipulados e usados como massa de manobra por Bolsonaro para que ele pudesse dar um golpe de Estado e se manter no poder.

Redução de danos

A pressão sobre o Congresso Nacional se intensificou com a condenação de Bolsonaro, na semana passada. Até governistas admitem reservadamente que um projeto de anistia elaborado pela oposição está cada vez mais perto de ser pautado na Câmara dos Deputados.

O eventual engajamento pessoal de Lula, além de evitar a aprovação de um texto mais radical, o petista se colocaria diante da opinião pública como um estadista magnânimo, acima de disputas políticas, preocupado em pacificar o país.

Ao tirar da cadeia as "vovós da Bíblia", os "tios do zap" e a "moça do batom", o discurso dos bolsonaristas sobre suposto abuso de poder do STF seria fortemente esvaziado.