PF avalia acionar Interpol para foragido de operação contra PCC
Victor Shimada foi alvo de ação, mas não foi encontrado; ele é um dos sancionados pelos EUA por suposta ligação com crime organizado
A PF (Polícia Federal) estuda acionar a Interpol para encontrar Victor Henrique de Oliveira Shimada. Ele foi alvo da operação Exchange, na última sexta-feira (3), mas não foi encontrado para cumprimento do mandado de prisão e é considerado foragido.
A investigação aponta o empresário como um dos líderes de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, que contava com a atuação do tio e da prima em funções consideradas estratégicas para a movimentação dos recursos ilícitos. E ligação com a maior facção do Brasil.
A prima, a secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, foi presa, mas recebeu alvará de soltura na noite desta terça-feira (7).
Se a PF acionar a rede internacional de polícias e o nome dele for incluído na Difusão Vermelha, ele passa a ser procurado em 196 países que compõem a Interpol.
Stella e Victor Shimada foram sancionados pelos EUA na última quarta-feira (1º). O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos apontou que Victor Shimada teria um suposto vínculo com o PCC.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também sancionada nesta manhã, é citada pelos EUA como uma associada próxima e parente de Victor, tendo trabalhado como sua secretária e intermediária para a coleta de grandes quantias em dinheiro.
Segundo o departamento americano, ela fornecia serviços logísticos essenciais que apoiaram Shimada e sua rede em suas operações de lavagem de dinheiro.
Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia, incluída na lista de sanções do OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros), dos EUA. A empresa é suspeita de participar de uma estrutura de lavagem de dinheiro para o PCC e chegou a ser citada em uma delação premiada de Vinicius Gritzbach, o "delator do PCC".
Shimada utilizou mais de 70 empresas de fachada para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas, segundo as investigações da operação Exchange.
As apurações ainda apontam que ele seria responsável por movimentar mais de US$ 30 milhões – cerca de R$ 155 milhões – em recursos ilícitos por meio de criptomoedas, com posterior envio dos valores ao Brasil.
De acordo com a PF, o esquema utilizava uma rede de “empresas prateleira” para ocultar a origem e o destino dos recursos. A investigação aponta que a estrutura era usada para dificultar o rastreamento das transações financeiras e dar aparência de legalidade ao dinheiro proveniente do tráfico.
Mais de 50 agentes cumpriram sete mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em endereços localizados nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.
A Justiça também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi solta na noite desta terça-feira (7). A Justiça Federal realizou o pedido de soltura da secretária, que estava presa temporiariamente desde sexta-feira (4) após uma operação da PF (Polícia Federal).
A prisão temporária era de cinco dias, no entanto, a Justiça entendeu por não converter em preventiva e decidiu pela soltura. Em nota, a defesa da mulher informou que recebe a decisão com "respeito e serenidade". Veja:
"A defesa de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, constituída pelos advogados Robson Cyrillo, Filipe Cheles, Henrique Cavalheiro e Gabriel Constantino, informam que, na presente data, o Juízo decidiu pela não conversão da prisão temporária em prisão preventiva, razão pela qual foi determinada sua imediata soltura, devendo a decisão ser cumprida ainda hoje.
Em respeito ao segredo de justiça que recai sobre a investigação, a defesa não comentará o conteúdo da decisão nem os elementos constantes dos autos.
A defesa recebe a decisão com respeito e serenidade, por entender que ela observa rigorosamente os pressupostos legais das medidas cautelares e reafirma sua confiança de que a inocência de Stella será plenamente demonstrada no decorrer da investigação".
A defesa de Shimada, por sua vez, informou à CNN Brasil que adotará todas as medidas jurídicas e processuais que entender cabíveis, inclusive visando a revogação da prisão preventiva. Leia na íntegra:
"A defesa de Victor Henrique de Oliveira Shimada tomou conhecimento da decisão que decretou sua prisão preventiva. Embora já tenha tido acesso ao seu teor, a decisão é recente e será analisada de forma criteriosa e aprofundada, especialmente quanto aos fundamentos que embasaram a adoção dessa medida extrema.
Concluída essa análise, a defesa adotará todas as medidas jurídicas e processuais que entender cabíveis, inclusive visando a revogação da prisão preventiva.
Reafirmamos o compromisso com o devido processo legal e adotaremos todas as providências necessárias para assegurar o pleno exercício do direito de defesa, sempre pelos meios juridicamente adequados."

