Elijonas Maia
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Maranhense radicado em Brasília, cobre investigações policiais e os bastidores da segurança pública há 15 anos

PF diz ao STF que PM do Rio não entregou imagens de operação com 122 mortos

Em fevereiro deste ano, ministro Alexandre de Moraes determinou que imagens fossem enviadas em 15 dias para perícia

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A PF (Polícia Federal) informou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a Polícia Militar do Rio de Janeiro ainda não enviou as imagens corporais dos PMs que atuaram na megaoperação Contenção, realizada em outubro de 2025, e que deixou 122 mortos.

No documento, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que uma equipe formada por dez peritos criminais federais está mobilizada para analisar o material, mas que “é inviável finalizar o trabalho no prazo de 15 dias anteriormente estipulado por ministros da Corte”. Ao todo, são mais de 400 horas de gravação.

Em 5 de fevereiro deste ano, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu prazo de 15 dias para que o governo do estado do Rio de Janeiro enviasse à Polícia Federal todas as imagens captadas durante a operação. A ação da polícia nos Complexos do Alemão e da Penha aconteceu seis meses atrás.

“Ademais, verificou-se a incompletude do acervo probatório recebido, o qual refere-se exclusivamente às imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes da CORE/PCERJ, sendo que, até o presente momento, não foi recebido qualquer acervo audiovisual relativo às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, que atuaram na operação com efetivo ignificativamente maior e número substancialmente superior de dispositivos de gravação corporal”, disse Rodrigues.

Andrei ainda destacou que o andamento da investigação depende do envio desse material restante para que a perícia seja concluída e também pediu mais prazo para a análise, de 15 para 90 dias.

A operação Contenção foi realizada em 28 de outubro nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro e deixou 122 mortos, sendo cinco policiais. Após o caso, ao governo do Rio de Janeiro, o STF determinou a preservação das imagens das câmeras corporais usadas por policiais da operação, bem como o envio da relação dos agentes que utilizaram o equipamento.

Para o STF, no âmbito da ADPF das Favelas, um dos pontos que precisam ser esclarecidos é o número de mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos pelo juízo da 42ª Vara Criminal da Capital e que foram efetivamente cumpridos. Além disso, ainda falta o esclarecimento da relação das pessoas presas ou que morreram durante a realização da operação.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro afirmou que todas as informações e materiais requisitados, como laudos e imagens, foram devidamente encaminhados ao Supremo Tribunal Federal por meio dos autos da ADPF 635.

"A pasta complementa que a Polícia Militar também enviou, no dia 13 de fevereiro, todas as imagens solicitadas à Polícia Federal", completou a pasta, que encaminhou à reportagem o comprovante de envio do email.

A CNN Brasil questionou novamente a PF e aguarda retorno.