Deolane completa três meses presa e juiz vai reavaliar se mantém prisão
Às 6h30 de 21 de maio a influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa de forma preventiva após investigações apontarem ligação dela com o PCC (Primeiro Comando da Capital). A "Operação Vérnix" foi deflagrada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) e pela Polícia Civil de São Paulo.
Após completos os 90 dias, o juiz do caso vai reavaliar nesta sexta-feira (21) se Deolane permanecerá presa ou se sairá da cadeia para responder ao processo em casa, conforme determina a legislação.
O MP não precisa pedir a manutenção, pois a Justiça tem o dever legal de reavaliar o caso. De toda forma, o órgão se antecipou e pediu que Deolane continue presa, conforme revelou a CNN Brasil. Se o juiz entender pela soltura, a medida não implica em soltura automática, explicam agentes.
Além de Deolane, entre os alvos da operação e de prisão estiveram Marco Herbas Camacho (Marcola), Juvenal Camacho (Marcolinha), dois sobrinhos de Marcola; Leonardo e Paloma Camacho, além de Everton de Souza, conhecido como "Player".
Além dos mandados, também houve bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de quatro imóveis vinculados aos investigados.
O nome de Deolane chegou a constar na Difusão Vermelha da Interpol, pois semanas antes ela estava na Itália sem passagem de volta. Ela voltou ao Brasil um dia antes de ser presa.
Investigações
As apurações começaram em 2019, quando bilhetes e manuscritos foram apreendidos pela Polícia Penal no interior da Penitenciária II de Presidente Venceslau, que estavam com dois presos. Os conteúdos dos materiais revelaram algumas dinâmicas internas do PCC, como atuação de lideranças encarceradas e possíveis ataques contra agentes públicos.
Com isso, a polícia instaurou três inquéritos, cada um responsável por revelar uma nova camada da estrutura criminosa investigada.
O primeiro inquérito teve como foco direto os dois sentenciados que estavam com os bilhetes. A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos.
Os dois foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal. Entre os trechos analisados, existia a menção de uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pelo PCC.
O segundo inquérito buscou identificar quem seria a mulher mencionada e qual seria a relação da transportadora com a facção. As diligências conduziram a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida judicialmente como instrumento utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro.
A investigação resultou na Operação Lado a Lado, que revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção.
Durante a operação, a apreensão de um celular abriu uma nova frente investigativa. O conteúdo retirado do dispositivo revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula do PCC, além de indícios de repasses financeiros e conexões com Deolane Bezerra, uma das maiores influencers do Brasil.
O papel de Deolane
Segundo os investigadores, Deolane tinha estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas da transportadora investigada. Foi a partir do material que nasceu a "Operação Vérnix", terceira etapa da investigação. O objetivo da ação era expor ainda mais o esquema mais amplo de lavagem de dinheiro, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.
As apurações apontam que a influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando do PCC.
Os levantamentos mostraram a abertura de mais de 30 empresas, recebimentos de dinheiro com origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão. Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
A investigação também identificou o uso de estruturas empresariais e patrimoniais sucessivas, mecanismo que teria como finalidade dificultar o rastreamento da origem, circulação e destinação dos recursos.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, as operações financeiras e movimentações bancárias analisadas durante as investigações não apresentaram justificativa lícita suficiente.
A "Operação Vérnix" também teve dimensão internacional. Dois investigados estariam fora do país em países como Espanha e Bolívia, que são os sobrinhos de Marcola. Por isso, a Polícia Civil representou pela inclusão deles na Lista Vermelha da Interpol, por meio de difusão vermelha. O objetivo é encontrá-los e adotar as providências legais contra os alvos.
Defesa Deolane Bezerra
A defesa de Deolane Bezerra divulgou uma nota no dia da prisão. Os advogados mantêm o argumento no processo que a empresária é inocente e não tem ligação com o PCC.
“A defesa técnica da advogada Dra. Deolane Bezerra Santos vem, com o máximo respeito às instituições do Sistema de Justiça e ao Estado Democrático de Direito, prestar os devidos esclarecimentos sobre os acontecimentos que resultaram em sua prisão preventiva na data de hoje, 21/05/2026.
Inicialmente, ressaltamos a sua mais absoluta inocência, bem como que os fatos serão devidamente esclarecidos por esta defesa em momento oportuno.
Por ora, e com o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane, e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário.”
Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane significa uma perseguição contra a advogada. Veja nota na íntegra:
"Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar.
No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expões, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública...para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome."
A defesa de integrantes da família de Marcola também emitiu um comunicado. Veja abaixo:
"Esclarecemos que o deferimento de medidas cautelares não implica, em nenhuma hipótese, presunção de culpabilidade. O caso encontra-se na fase de inquérito policial, etapa preliminar baseada em indícios sujeitos ao contraditório, e a inocência de nossos clientes será plenamente comprovada ao longo do processo.
Solicitamos à imprensa e à sociedade o respeito à presunção de inocência, direito fundamental garantido pela Constituição Federal, abstendo-se de conclusões precipitadas antes de qualquer pronunciamento judicial definitivo."


